
26/02/2015
O governo do Estado de São Paulo deixa escapar uma boa oportunidade de trocar a moldura com que enquadra a questão do abastecimento de água na região metropolitana da capital paulista. Mergulhado na crise e no curto prazo, perde de vista as providências de longo alcance que deveria tomar.
Os mananciais não dependem só de chuvas, assim como a produção de água para distribuir à população não depende apenas de obras. Conservar o recurso é tão ou mais importante que ser capaz de levar o líquido de um subsistema para outro, como na interligação da represa Billings com o Alto Tietê e deste com o Cantareira.
Não se trata somente de diminuir o nível de perdas, que se acha em exorbitantes 30% na Grande São Paulo e 34% no Estado (a média nacional é ainda maior, 37%).
Uma verdadeira "mudança de paradigma", como a sinalizada pelo secretário estadual de Recursos Hídricos, Benedito Braga, em artigo publicado nesta Folha, deveria incluir no topo da agenda também a produção natural de água.
A chuva pode infiltrar-se no solo e alimentar o lençol freático ou pode escorrer pela superfície, causando erosão e assoreamento de rios e represas. A predominância do primeiro resultado em detrimento do segundo, indesejável, depende em grande medida da presença de florestas na área de captação do sistema de abastecimento.
Estima-se que 1 km2 de matas produza 10 mil litros de água por ano em regiões com média anual de 1.200 mm de precipitação (no Cantareira, mais de 1.500 mm/ano).
A bacia mais importante da região metropolitana não se encontra em bom estado no que respeita a desmatamento. Apenas 34% dos 2.280 km2 do Cantareira contam com cobertura de mata atlântica (o restante são áreas urbanas, pastagens em geral degradadas e plantações, inclusive 11% de reflorestamento com eucalipto e pinus).
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