
03/03/2015
As palavras são usadas como insultos. Quem rejeita as descobertas da ciência climática é tachado de "negacionista" ou "desinformador". Aqueles que aceitam essa ciência são chamados de "alarmistas".
Recentemente, um abaixo-assinado que já recebeu 22 mil adesões nos Estados Unidos introduziu um novo argumento nesse longo debate. O documento pede à imprensa que abandone o termo mais utilizado para descrever pessoas que questionam a ciência climática, "céticos", e que passe a chamá-las de "negacionistas climáticos".
Os climatologistas estão entre os maiores críticos à aplicação do termo "cético" às pessoas que rejeitam suas descobertas. Eles argumentam que o ceticismo é o fundamento do próprio método científico. O consenso moderno sobre os riscos das mudanças climáticas, dizem eles, baseia-se em provas acumuladas ao longo de décadas.
Nas convenções dedicadas à ciência climática, os pesquisadores são praticamente unânimes em apontar os riscos associados à emissão de grandes quantidades de gases de efeito estufa na atmosfera. Esses cientistas dizem que são os verdadeiros céticos e que o consenso só foi possível após as evidências relativas aos riscos se tornarem esmagadoras. Sob esse ponto de vista, quem rejeita as provas é um falso cético e se recusa a pesar os indícios como um todo.
O abaixo-assinado para que a imprensa abandone o rótulo dado aos "céticos climáticos" foi criado pelo físico Mark Boslough. A expressão está errada, argumentou ele, porque "essas pessoas não adotam o método científico". Boslough participa ativamente do grupo Comitê pela Investigação Cética, que há anos combate a pseudociência em todas as suas formas. No ano passado, ele escreveu uma carta aberta sobre a questão, e dezenas de outros cientistas rapidamente a subscreveram.
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