
19/03/2015
A estiagem que fez baixar o nível dos principais reservatórios de São Paulo teve um efeito paradoxal: ajudou a qualidade da água a melhorar em córregos e nascentes da região metropolitana em janeiro e fevereiro de 2015.
A conclusão é de um relatório da ONG ambientalista SOS Mata Atlântica, que comparou amostras de água de 117 pontos de coleta com outras obtidas em 2014.
A melhora – atestada segundo oxigenação, turbidez, nível de coliformes fecais, além de 13 outros parâmetros medidos– ocorreu em fios d´água que normalmente recebem muita "poluição difusa": lixo e poluição tragado de áreas secas pela água da chuva. O número de pontos de coleta com qualidade ruim ou péssima diminuiu de 74,9% para 44,3%, enquanto amostras com qualidade regular ou boa apresentaram alta de 25% para 55,4%.
A melhora não afeta muito a gestão da crise hídrica, porque a maioria dos pontos de coleta analisados não tem relação direta com reservatórios dos sistemas da Sabesp.
O estranho fenômeno, na verdade, é até uma notícia ruim para quem espera que São Paulo um dia tenha espaços agradáveis às margens de rios e córregos que hoje são escoadouros de esgoto e lixo.
"Isso é um alerta, porque se continuarmos pensando em despoluir rios só tratando esgoto, não vamos salvar rios urbanos", diz Malu Ribeiro, coordenadora do programa de água da SOS Mata Atlântica.
Isso significa que, com a normalização das chuvas, o lixo da rua volta aos córregos.
Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo
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