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Metade das obras de saneamento do país está parada, atrasada ou sequer foi iniciada

07/04/2015

Numa das raras vezes em que olhou para o Condomínio Porto Rico, um bairro periférico numa região administrativa de Brasília, o Estado se mostrou falho, ineficaz e ausente. O auxiliar de serviços gerais Francisco Viana, de 18 anos, estava lá para provar. Na tarde de quarta-feira, Francisco cavava uma fossa, com terra até o peito, em frente à casa nova do tio no Porto Rico. A fossa — um dos mecanismos mais rudimentares de coleta de dejetos — era aberta a dois metros da tubulação de esgoto instalada pelo governo do Distrito Federal, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
A rede coletora não foi concluída e não funciona. As obras da estação elevatória para onde deveriam ser levados os dejetos se resumem a um lote cercado por arame farpado, demarcado pela empresa de saneamento do DF. Nem uma das tradicionais placas oficiais, anunciando a presença do governo na região, chegou a ser instalada no local. Os moradores desconhecem que o Estado programou alguma ação ali. O esgoto, fétido, escorre sobre as ruas de terra batida. Os moradores ainda dependem de fossas como a cavada por Francisco.
— Ninguém quer cavar mais fossa. O governo tem de liberar logo a rede para a gente usar — diz o jovem, que conclui uma escavação em dois dias.
O sistema de acompanhamento da obra no site da Caixa Econômica Federal (CEF) mostra o projeto como “paralisado”, com menos de 5% de andamento. De R$ 1,9 milhão previstos no PAC, num contrato assinado em 2011, foram liberados até agora apenas R$ 84,3 mil. O abandono da comunidade de Porto Rico, que chegou perto de ter acesso a saneamento básico e que precisa fazer proliferar as fossas pelas ruas, não é algo isolado.
O GLOBO acompanhou três projetos de saneamento básico, em Brasília, que resumem as dificuldades do poder público em fazer avançar a universalização da coleta, do tratamento de esgoto e do fornecimento de água tratada. Por problemas diversos, da deficiência num projeto de engenharia à falta de recursos e falhas na licitação, as obras pararam, atrasaram ou nem chegaram a ser iniciadas.

A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo

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