
28/05/2015
Eliseu Martins poderia passar despercebida no mapa do país. Encravada no Sudoeste do Piauí, a cidade de menos de 4 mil habitantes surgiu de um povoado há menos de 60 anos e passa o ano inteiro sob um clima quente e seco. Seu anonimato foi por terra nesta quarta-feira, durante a divulgação do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. O estudo traz boas notícias: o desmatamento do bioma recuou em 24% entre 2013 e 2014, em relação ao período anterior (2012 a 2013). Rio e São Paulo, onde estão as duas maiores capitais do país, apresentam resultados exemplares, com índices de destruição próximos a zero. Enquanto isso, o município piauiense, sozinho, responde por 23% de toda a devastação observada nos 17 estados com estes ecossistemas.
No último biênio, o bioma perdeu 18,2 mil hectares de remanescentes florestais. Em Eliseu Martins, foram 4,2 mil hectares. No levantamento anterior, dois de seus vizinhos, Manoel Emídio e Alvorada do Gurgueia, despontaram entre os campeões da destruição da mata.
Autora do Atlas, a Fundação SOS Mata Atlântica destaca que a produção de grãos é o principal vilão do bioma em grandes regiões de Piauí e da Bahia, os estados que mais preocupam os ambientalistas.
— A área desmatada corresponde à transição entre o bioma e o Cerrado, onde ocorre a expansão da soja — destaca Marcia Hirota, diretora da SOS Mata Alântica. — Na Bahia, vemos planos de desenvolvimento e expansão da soja que não estão aliados à conservação da natureza.
A fundação cogita encaminhar ao Ministério Público da Bahia e do Piauí pedidos de moratória para a concessão de licenças a empreendimentos que envolvam a exploração da vegetação nativa.
— Sabemos que a expansão agrícola é um importante ativo econômico para o país, mas não podemos continuar convivendo com um modelo de desenvolvimento às custas da floresta nativa — condena Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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