
02/06/2015
Começou esta segunda-feira um novo encontro internacional que determinará como os chefes de Estado pretendem lidar com as mudanças climáticas. A Conferência de Bonn, na Alemanha, que será encerrada no dia 11, é o último grande encontro antes da Conferência do Clima de Paris (COP 21), em que os países devem estabelecer um acordo limitando o aumento da temperatura global em até 2 graus Celsius.
Desde fevereiro, diversos países estão propondo métodos sobre como as conversas devem ser conduzidas no fim do ano, no encontro francês. As sugestões resultaram em um documento de cerca de 90 páginas e 4.232 linhas, com centenas de lacunas, que devem ser preenchidas e aprovadas por mais de 190 países.
O rascunho é semeado de discórdias. A China e os EUA, os maiores poluidores do planeta, querem que as metas de redução das emissões sejam baseadas em suas políticas domésticas. Mas diversos países, como os integrantes da União Europeia, exigem que todos sigam a mesma regulamentação. Outras sugestões radicais também estão presentes no texto, como a proposta da Bolívia de criar um tribunal para punir as nações que não cumprirem as metas que serão determinadas na COP 21.
— Não acredito que vamos sair de Bonn com um documento de poucas páginas — avalia Mark Kenber, diretor do Climate Group, uma consultoria independente que trabalha com negócios e governos. — Estes negociadores são treinados na arte de não ceder nada enquanto não forem obrigados.
Já a secretária-executiva na convenção da ONU, Christiana Figueres, está otimista. Ela acredita que os países, agora, demonstram uma disposição muito maior do que antes do encontro de Copenhague, seis anos atrás, quando também havia uma grande expectativa para a assinatura de um acordo global.
— A coisa mais importante é que há uma crescente percepção de que (um acordo) não só é possível, mas também é do melhor interesse de todos. Este é o ponto crucial — ressalta.
Até agora, apenas 40 países enviaram suas propostas de redução das emissões para as Nações Unidas. A expectativa é que a China revele seu programa este mês.
Fonte: O Globo
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