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Lixões clandestinos em Gramacho oferecem risco à saúde de moradores

02/06/2015

Há três anos, com o fechamento do aterro de Jardim Gramacho, que fica a 30 quilômetros de distância do Rio de Janeiro, e a ida dos resíduos para o Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, que fica a cerca de 90 quilômetros da capital fluminense, lixões clandestinos começaram a surgir e crescer no interior das comunidades do entorno do antigo aterro. Atualmente, moradores de comunidades como a Quatro Rodas, Chatuba, Parque Planetário e Remanso veem o aumento do despejo irregular de lixo ao lado de suas casas.
E a proximidade entre as moradias e esses lixões clandestinos oferece riscos à saúde dos moradores. “Tudo isso favorece as doenças infecciosas, principalmente as diárreias crônicas. Além disso, como você tem mosquitos, isso ajuda no aparecimento de leishmaniose [que são lesões de pele causadas por parasitas], dengue e outras doenças de pele de uma maneira geral, sem contar com doenças respiratórias como asma e bronquite”, destaca a infectologista Marília de Abreu, diretora e responsável pela Câmara Técnica de Infectologia do Cremerj.
Como o bairro de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, fica mais próximo do Rio e para levar o lixo para aterros legalizados cada caminhão paga cerca de R$ 75 por tonelada, os despejos clandestinos se tornaram frequentes na região. Vendo na atividade clandestina uma nova forma de obter lucro, o tráfico de drogas local passou a cobrar cerca de R$ 40 para autorizar o despejo irregular.
“As comunidades que possuem esses lixões clandestinos que são operados pelo tráfico são Parque Planetário e Chatuba. Nós já realizamos junto com o governo do estado diversas operações de fechamento desses lixões, mas nós fechamos em um lado e abrem em outro. Não adianta também entrar com a polícia para prender os traficantes que operam esses lixões, pois nas prisões eles irão eleger um sucessor que vai continuar operando esses lixões nos seus lugares”, garantiu o secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Abastecimento de Duque de Caxias, Luiz Renato Vergara.
Ainda de acordo com ele, para acabar com a atividade é fundamental que o Estado intervenha através de um reordenamento urbano, social e ambiental na área. “Só desta forma o ‘lugar comum’ de comando desses marginais será desfeito e a comunidade poderá usufruir um espaço que passará a ser público e de todos, onde o poder público passará a estar presente com posto de saúde, creche e parque municipal. A ordem urbana não passará mais a ser exercida pelo tráfico, mas sim pelo poder público. Mas isso só será possível graças a uma grande intervenção urbana que desconfigure uma área que é dominada pelo medo, pela pobreza”, garante Vergara.

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