
09/06/2015
O imenso mar deserto em regiões como a costa brasileira compromete a existência da indústria da pesca, vital para o setor econômico e para a dieta da população. Um estudo publicado esta semana na revista “Science” mostra que o aquecimento global, provocado pela ação humana, está impulsionando a migração de espécies marinhas dos oceanos tropicais para o Ártico. Pesquisadores entrevistados pelo GLOBO avaliam que o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado hoje, deve servir como reflexão sobre os efeitos do excesso de calor nos oceanos, que atrapalham a produção de oxigênio necessário para a vida.
— Quanto mais quente é a água, menor é a quantidade de oxigênio disponível. Isso explica porque a pesca nos trópicos é menos produtiva do que em regiões frias — explica Cláudio Gonçalves Tiago, pesquisador do Centro de Biologia Marinha da USP. — O estudo mostra como o bacalhau, uma espécie de caranguejo e duas de peixes, todas importantes economicamente para uma série de países, estão precisando ir para outras regiões, ou viver em áreas mais profundas, para conseguir manter o metabolismo.
Autor principal do estudo, Hans-Otto Pörtner avalia que as espécies tropicais recém-chegadas no Ártico podem abalar o equilíbrio do ecossistema. As espécies mais vulneráveis, inclusive, sofreriam com a ameaça de extinção.
— A água no Ártico é extremamente fria, mas também muito rica em oxigênio — observa. — Com a evolução, os animais que vivem ali se adaptaram a estas condições e terão menos chance de sobreviver quando esta região for mais atingida pelo aquecimento global. As espécies que migram de regiões quentes, e que precisam de menos oxigênio, vão atingir fortemente as nativas — explica.
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