
16/06/2015
O Brasil produz anualmente entre mil e 2.000 toneladas de lixo eletrônico. Sucata formada pelo descarte de CPUs, monitores, teclados, celulares, televisores, laptops, o chamado e-lixo cresce exponencialmente, já que a indústria substitui em ritmo frenético os modelos vigentes por outros, mais avançados.
Trata-se de problema ambiental grave, já que esse lixo contém quantidades não desprezíveis de substâncias tóxicas, como chumbo, mercúrio, cádmio, arsênico, cobalto e tantas outras, que podem provocar males neurológicos, perda do olfato, audição e visão, até o enfraquecimento ósseo. Jogar esse tipo de lixo nos aterros é contaminação certa dos lençóis freáticos e, por essa via, dos seres humanos e animais.
Presidente da Coopernova, cooperativa que reúne 32 catadores de material reciclável em Cotia (Grande São Paulo), a baiana Marli Monteiro Andrade dos Santos, 52, é uma pioneira na solução do problema. O que começou como uma simples cooperativa de reciclagem de latinhas de alumínio agora inclui atividade que atende pelo nome pomposo de "logística reversa".
Trata-se da coleta e posterior desmontagem dos componentes eletrônicos, de modo a revendê-los separadamente. Assim o e-lixo, que agregado atinge o preço módico de R$ 0,25 o quilo, desmontado em suas partes constitutivas atinge valores 30 vezes maiores.
Isso acontece porque, além das substâncias tóxicas e dos metais pesados (um tubo de TV, daqueles antigos, pode conter até 4 kg de chumbo!), o lixo eletrônico constitui-se em rica fonte de metais nobres, como ouro, prata e paládio. Placas de circuito impresso, como as encontradas nos processadores e nas memórias, têm contatos de ouro -que pode ser recuperado. Trata-se de verdadeira atividade de mineração no lixo.
Depois de separadas, as plaquinhas são enviadas à Bélgica, onde a empresa Umicore detém a tecnologia de extração dos metais nobres da resina que os envolve.
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