
16/06/2015
O quebra-quebra na Uerj há duas semanas, após um protesto contra a derrubada de barracos da Favela do Metrô, colocou em evidência outro problema no entorno do Maracanã: a morosidade dos projetos urbanísticos para a região. A remoção da comunidade às margens da linha do trem, embargada pela Justiça, inicialmente era prevista para ocorrer até a Copa das Confederações, em 2013. Depois, o prazo foi estendido até a Copa do Mundo, em 2014. Agora, a pouco mais de um ano dos Jogos Olímpicos, quando o estádio mais uma vez será protagonista, a prefeitura encontra obstáculos para concluir o plano. Outras intervenções também caminham a passos lentos.
O antigo prédio do Museu do Índio, fechado desde a década de 1970, aguarda, há dois anos, sua revitalização, que não saiu do papel por falta de recursos. Na Grande Tijuca, dos cinco piscinões contra enchentes que deveriam estar prontos até a Copa das Confederações apenas um está pronto, na Praça da Bandeira. Os outros ficaram para depois das Olimpíadas. A empresa responsável pelas obras desistiu do contrato e o município fará este mês uma nova licitação.
No caso da Favela do Metrô, as 667 famílias que viviam no local aceitaram receber indenização ou ser transferidas para condomínios do Minha Casa Minha Vida. Foram três anos de negociação. A maioria das casas foi demolida. No entanto, algumas foram invadidas. Os imóveis ocupados ficam geralmente no segundo piso das oficinas e lojas comerciais que permaneceram de pé. Já o terreno que receberia parte dos 94 comerciantes do polo automotivo, previsto originalmente, serve de depósito de entulho de obras da prefeitura.
O secretário municipal de Habitação, Carlos Francisco Portinho, diz que a solução definitiva para a região da Favela do Metrô está próxima, embora a obra só deva ser concluída após os Jogos. Segundo ele, há três semanas o projeto — que foi simplificado e teve custos cortados — foi retomado. Da proposta original, foram excluídos detalhes como a construção de um telhado verde nas oficinas. A cobertura vegetal tinha o objetivo de melhorar a drenagem e fornecer isolamento acústico. A nova versão do plano deve ser licitada até o fim deste mês.
— O projeto original custaria R$ 30,5 milhões, e as verbas viriam da União. Mas o dinheiro não saiu. Agora, usaremos recursos próprios e gastaremos R$ 18 milhões — diz Portinho.
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