
09/07/2015
O exemplo do governo da Noruega, que no mês passado anunciou retirada de investimentos do seu fundo soberano em empresas que têm parte significativa de seus ativos na exploração e queima de carvão, deveria ser seguido pelo Brasil, com maiores investimentos em fontes renováveis. A opinião é do secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl. Com a decisão do Parlamento norueguês, o Fundo de Pensão Governamental Mundial (GPFG), considerado o maior fundo soberano do mundo, deverá retirar investimento de 122 empresas, no total de 7,7 bilhões de euros.
"Ele manda uma mensagem clara para o mercado, os investidores, que a tendência é buscar alternativas aos combustíveis fósseis", disse Rittl nesta terça-feira (7) à Agência Brasil. Para ele, as políticas brasileiras de expansão da geração de energia deveriam considerar as mudanças climáticas e os riscos dos investimentos na hora de alocar os recursos. Destacou que hoje, o Brasil projeta colocar 70% dos investimentos em energia em combustíveis fósseis, nos próximos dez anos. Esses recursos vão gerar impactos no clima e podem se transformar em investimentos de alto risco, apontou.
Avaliou que embora o Plano Decenal para Expansão de Energia, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), preveja aumento dos investimentos em fontes limpas, esses investimentos ainda são reduzidos, "perto do que nós temos de potencial, em especial em algumas fontes". É o caso, por exemplo, da energia eólica (dos ventos), que segundo Rittl, o Brasil estará, nos próximos anos, aproveitando menos de 10% do potencial de geração dessa fonte. Ou da energia solar, em que "a gente ainda engatinha, enquanto outros países desenvolvidos e em desenvolvimento estão caminhando muito rápido".
Nesse sentido, destacou os Estados Unidos, a Alemanha, China, Índia, que além de avançar estão estruturando cadeias produtivas, que geram empregos e produzem uma tecnologia que será solução para os próprios países e para o mundo inteiro.
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