
14/07/2015
Quando Manoel Araújo e Evandro Cunha chegaram na manhã da última sexta-feira à Praia do Leme para trabalhar, tiveram uma surpresa. Uma baleia jubarte estava presa e não conseguia se soltar da rede de pesca que os dois haviam deixado no mar no dia anterior.
Assim que soube, a dupla de pescadores pegou o barco e seguiu para libertar o mamífero, a cerca de 600m da areia. O animal estava nessa situação desde a noite anterior.
— Ela estava com a nadadeira presa e parecia ser filhote. Não estava muito agitada — contou Manoel.
Os dois costumam pôr a rede nessa região por volta de 11h e retornam no dia seguinte para recolher os peixes. A retenção de nylon tem um quilômetro de extensão.
— Tivemos que cortar uma parte da rede com a faca — explicou Manoel.
Na Pedra do Leme, cerca de 20 curiosos vibraram com o sucesso da operação.
— Eles botam a rede todas as manhãs e não há fiscalização. A baleia estava sofrendo desde quinta. Ligamos para a Delegacia de Meio Ambiente e para o Corpo de Bombeiros, mas ninguém veio — reclamou o professor Ricardo da Silva, que assistiu ao resgate.
Os pescadores afirmaram que a rede respeita a legislação.
— A nossa pesca não é industrial, é artesanal. Tiramos a rede e a baleia foi embora para alto-mar — disse Evandro.
Segundo a Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), da Secretaria estadual de Ambiente, as redes devem ser postas a, no mínimo, 200 metros da areia. Abaixo disso, é crime ambiental.
— No Leme, geralmente ficam pescadores artesanais e cadastrados — explicou o coronel José Maurício Padrone, coordenador da Cicca.
Segundo o biólogo Salvatore Siciliano, as jubartes costumam migrar da região subantártica para as águas quentes do Brasil nos meses de junho e julho. Apenas em novembro elas iniciam o caminho de volta. A movimentação desses animais se deve ao período de reprodução e criação de filhotes.
O litoral entre o Estado do Rio e o Rio Grande do Norte é o preferido dos cetáceos. Salvatore conta que este ano houve dois casos de morte de baleias presas em redes.
Fonte: O Globo
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