
26/11/2015
A caixa d’água da Bahia está em chamas. A Chapada Diamantina, onde nascem 80% dos rios do estado, enfrenta um dos piores incêndios da História. Muitas áreas de nascentes foram afetadas. O fogo começou há quase um mês, diz o coordenador de projetos da Conservação Internacional, o biólogo Rogério Mucugê, que participa do combate.
Ontem, três grandes incêndios estavam fora de controle dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Um deles atinge uma área considerada de “valor intangível” para a conservação.
— Todos os anos há incêndios na Chapada. Mas ela tem se tornado progressivamente mais seca, e este ano os incêndios atingiram uma ferocidade histórica — afirma Mucugê.
Segundo o biólogo, a intensificação das secas está, provavelmente, associada a mudanças climáticas. A situação é particularmente grave porque na Chapada Diamantina fica a Bacia do Rio Paraguaçu, responsável por 60% do abastecimento de água de Salvador. As nascentes do Paraguaçu estão na área queimada.
O secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler, estima que a área devastada pode chegar a 30 mil hectares, o equivalente a um quarto de todo o município do Rio.
— Só devemos saber exatamente quantas nascentes foram atingidas em cerca de dez dias. Há uma perda considerável de recursos hídricos.
Muitos animais morreram, e outros fugiram. Segundo ele, no Parque Nacional da Chapada Diamantina, duas áreas preocupam: Barro Branco, perto de Lençóis, e Folha Larga, perto da localidade de Pai Inácio.
— Em Barro Branco, a atuação dos bombeiros é muito difícil. Trata-se de um terreno com muitas fendas e cânions. Onde a vegetação está queimando é uma área de acesso extremamente difícil. Até o combate aéreo é complicado. O controle total do fogo talvez só pode ser estabelecido quando chover. É um local muito perigoso para a atuação dos bombeiros — explica Spengler.
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