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Ibama tentou embargar barragem de Fundão em Mariana

01/12/2015

Cerca de quatro meses antes do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), o Ibama determinou o embargo do empreendimento e tornou inválido um documento que permitiu a construção da barragem, como demonstram novos documentos obtidos pelo GLOBO. A informação foi confirmada nesta quinta-feira pela direção do Ibama, em Brasília, e por fontes do órgão federal em Minas Gerais.
A invalidação da chamada anuência, a cargo do Ibama, poderia levar à anulação das licenças de instalação e de funcionamento do empreendimento, que foram concedidas por órgãos ambientais do governo mineiro.
O Globo revelou no último dia 20 que a mineradora Samarco - que pertence à Vale e à BHP Billiton - desrespeitou duas exigências na construção da barragem em Mariana e acabou multada em 2010 (em R$ 20 mil), e em 2011 (em R$ 120 mil). A empresa deixou de reflorestar uma área de 263 hectares de Mata Atlântica e desmatou além do permitido pelo Ibama. O órgão federal foi responsável por dar anuência para o desmatamento, conjugada às licenças de instalação e operação da barragem.
Um analista ambiental e uma procuradora federal chegaram a pedir, em maio de 2014, a invalidação da anuência e o consequente embargo do empreendimento, como informou O GLOBO. Os novos documentos mostram que o Ibama em Minas Gerais chegou a determinar a "invalidação da anuência nº 060/2006 e embargo do empreendimento", em decisão administrativa de primeira instância, em 9 de julho deste ano.
A autoridade responsável por avaliar autos de infração seguiu os pareceres da área técnica do Ibama e da Procuradoria Federal Especializada, que atua junto ao Ibama em Minas. "Assegurados o contraditório e a ampla defesa, autoria e materialidade restaram devidamente configuradas, conforme auto de infração e relatório de fiscalização. O enquadramento legal e a dosimetria foram adequadamente tratados nos referidos instrumentos, à luz da conduta praticada", cita a autoridade julgadora na decisão em relação à multa de R$ 20 mil, que originou o pedido de embargo.
A burocracia impediu que o embargo da barragem e a invalidação da anuência fossem efetivados. Para isso ter ocorrido, a Samarco deveria ter sido notificada antes, com possibilidade de recorrer ao superintendente do Ibama em Minas contra a decisão da autoridade julgadora. A multa foi enviada para cobrança somente em 29 de setembro último. O processo registra uma última movimentação em 28 de outubro. Não há registro de pagamento no processo. O andamento dos autos no site do Ibama diz que o débito está "quitado".
A barragem rompeu-se no último dia 5. Um mar de lama com rejeitos de exploração do minério de ferro destruiu o distrito de Bento Rodrigues, matou moradores, deixou milhares de pessoas sem água limpa, contaminou o Rio Doce em Minas e Espírito Santo e chegou ao oceano.

A matéria completa pode ser lida em O Globo

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