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Laudos apontam falhas em barragem da Samarco nos últimos 3 anos

03/12/2015

A repetição de problemas nos relatórios de auditoria da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), produzidos nos últimos três anos, mostra que a Samarco não atendia de forma satisfatória às recomendações para garantir a estabilidade da estrutura de rejeitos. Produzidos pela empresa de consultoria Vogbr, os relatórios listam recomendações que deveriam ter sido seguidas como condicionantes para validação da certificação de segurança, a partir de 2013. Porem, as falhas persistiram, elevando o risco de problemas no local.
Os relatórios citam problemas como canaletas trincadas, falhas nos canos de escoamento interno de água e no sistema de drenagem superficial, que visavam evitar a liquefação da estrutura da barragem. A soma dessas falhas pode ter contribuído para a maior tragédia ambiental do país, na avaliação de especialistas que conheceram os dados obtidos pelo Globo.
A legislação obriga a Samarco a apresentar anualmente aos órgãos ambientais de Minas relatório de auditoria produzido por especialista em segurança de barragens externo aos quadros da empresa. O rompimento no último dia 5 da barragem da mineradora, que pertence à Vale e à anglo-australiana BHP Billiton, deixou 13 mortos e oito pessoas desaparecidas e causou um tsunami de lama até o litoral do Espírito Santo.
O escoamento correto da água presente nos rejeitos é uma das principais preocupações em barragens como a da Samarco, já que o seu excesso eleva o risco de a estrutura se liquefazer. Relatórios de 2013, 2014 e 2015 apontaram problemas no sistema interno de drenagem, em especial nos canos que ligavam o centro da barragem ao exterior. Há registro de áreas saturadas, erodidas e até surgimento de nascentes na estrutura.
— Esse é um problema que não poderia ter deixado de ser atacado. Pelas informações que temos até agora, é praticamente certo que a questão da drenagem interna afetou a barragem — disse Eduardo Marques, geólogo da Universidade Federal de Viçosa (MG) e especialista em mineração.
Marques também cita outro problema grave, citado nos dois últimos relatórios: a repetição da necessidade de realizar ensaio de compacidade, isto é, verificar se a estrutura comporta o peso dos rejeitos, permite a expulsão da água e o compacta como previsto.
O geólogo Álvaro dos Santos diz que a empresa precisará dizer como e quando atendeu às recomendações:
— A barragem apresentava problemas de erosão superficial, por deficiência de seu sistema de drenagem superficial e falta de proteção de taludes. É um problema que, se não solucionado satisfatoriamente, poderia levar a situações extremamente críticas para a estabilidade — afirmou.

Leia a matéria completa em O Globo

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