
08/12/2015
Proibidos de organizar protestos ou marchas no âmbito da COP-21 em Paris ou na cidade de Le Bourget, na periferia na capital, onde está sendo realizada a Conferência do Clima, ativistas e ONGs do mundo inteiro foram obrigados a usar a criatividade. Ontem, um grupo de manifestantes da Divest se aglomerou em torno da réplica da Torre Eiffel montada no centro de convenções para, durante algumas horas, cantar e pedir que os países suspendam os investimentos em combustíveis fósseis.
— Queremos que 80% deles continuem no subsolo — disse uma das ativistas.
Na outra ponta do extenso corredor entre os pavilhões, um grupo de 30 ativistas da Climate Action Network-International (CAN) defendia uma economia com zero carbono e 100% de energias renováveis até 2050. Mas a grande vedete da COP-21 foi a tradicional entrega do prêmio “Fóssil do dia”, organizado pela CAN. Todos os dias, os eleitos são anunciados no final da tarde, com direito a coreografias diferentes ao som da música-tema do filme “Jurassic Park”. Ganha quem for considerado o maior entrave às negociações.
Ontem, o primeiro prêmio ficou com a Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO) e a Organização Marítima Internacional (IMO). Ambas são isentas de impostos sobre combustíveis e, com isso, deixam de pagar US$ 60 bilhões. “Ainda assim, não querem contribuir para o financiamento de medidas para mudança do clima. Não é à toa que o ministro de Assuntos Estrangeiros das Ilhas Marshall diz que o secretário-geral da IMO é um perigo para o planeta”, disse a CAN. O segundo lugar ficou com a Turquia. Segundo os ativistas, está claro que os turcos vieram para as negociações dispostos a obter o máximo possível de recursos para financiar medidas de combate às mudanças climáticas. “Mas o plano de ação nacional deles (o INDC) prevê compromissos com um aumento de 100% nas emissões de gases de efeito estufa (com base nos níveis de 2013)! Pode-se dizer que esse dinheiro (que querem) não serve para nada”.
Desde os ataques terroristas em Paris, estão proibidas manifestações e grandes aglomerações. A segurança continua intensa na COP-21 mesmo depois da partida dos líderes dos países.
Fonte: O Globo
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