
08/12/2015
Um dos cientistas pioneiros em alertar o planeta para o perigo do aquecimento global viajou a Paris para a cúpula do clima, a COP21, para defender aquilo que em sua opinião é uma solução para o problema: uma taxa global sobre emissão de carbono.
James Hansen, 74 anos, é talvez hoje o climatologista mais conhecido do mundo, tendo ganhado status de celebridade em 1988, quando foi chamado ao Congresso dos EUA onde foi interrogado sobre suas pesquisas. A história é contada no documentário “Uma Verdade Inconveniente”, vencedor do Oscar.
Hansen, que trabalhou para o Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa por 45 anos, publicava na época trabalhos com evidências importantes sobre o papel das emissões de gases do efeito estufa por atividades humanas no aquecimento do planeta. Por contrariar interesses de congressistas que atuavam em nome do lobby do Petróleo, foi chamado a depor na plenária e, pela primeira vez, detalhes sobre o problema foram expostos diante de uma plateia de políticos.
Há dois anos, o cientista trocou a Nasa pela Universidade Columbia, em busca de mais tempo para conseguir fazer ativismo. Sua campanha tem uma medida de sucesso: já conseguiu ser preso duas vezes em frente à Casa Branca, em Washington, protestando contra mineração de carvão e depois contra a construção de um oleoduto.
Hansen apareceu para dar uma palestra na COP21 usando o mesmo chapéu de caçador com que é visto frequentemente em trabalhos de campo e em protestos de rua. Sua missão agora é defender a adoção de uma taxa global de carbono, solução que ele aponta como a única forma viável de obrigar países a reduzirem suas emissões.
Segundo ele, tratados para redução do efeito estufa no formato como o daquele que vem sendo negociado em Paris são fadados ao fracasso.
“Aqui temos a mesma estratégia que foi tentada em Kyoto, em 1997: dizer a todos os países para prometerem reduzir suas emissões”, afirmou a um grupo de jornalistas em Paris. “As emissões se aceleraram depois do Protocolo de Kyoto. Após alguns países terem concordado em estabilizar e até terem reduzido suas emissões, as emissões globais totais cresceram mais rápido, porque os combustíveis fósseis ficaram muito baratos.”
Saiba mais no G1
Nível historicamente baixo do Danúbio revela destroços de navios da 2ª Guerra Mundial
18/08/2026
Borboletas mudam de habitat em 105 países por causa da mudança climática
18/08/2026
ANTES E DEPOIS: imagens de satélite mostram efeitos da seca extrema na Europa
18/08/2026
COP17 da Desertificação chega à Mongólia
18/08/2026
Como a Austrália, conhecida por sua fauna exuberante, tornou-se o epicentro das extinções no planeta
18/08/2026
´Ao me ver, chore´: A história por trás das ´pedras da fome´ da Europa
18/08/2026
