
08/12/2015
Nos últimos 20 anos, cerca de 525 mil pessoas morreram no planeta em 15 mil eventos extremos. As catástrofes resultaram em um prejuízo de US$ 2,97 trilhões. O cálculo foi divulgado ontem pela ONG Germanwatch. Em seu novo relatório, “Índice global do risco climático”, a instituição avalia dois panoramas: um sobre a média dos estragos provocados pelo aquecimento global nas últimas duas décadas (de 1995 a 2014) e outro dedicado somente aos eventos extremos registrados no ano passado.
Para comparar países tão diversos, o índice criado pela ONG avalia diversos critérios: o número de mortes (total e média a cada cem mil habitantes), o efeito percentual sobre o PIB e o impacto no poder de compra da população.
Entre 1995 e 2014, os países mais afetados pelas catástrofes climáticas foram Honduras, Mianmar e Haiti. Neste caso, o Brasil aparece em 82º lugar. Se for considerado apenas o ano passado, o ranking é liderado por Sérvia, Afeganistão e Bósnia e Herzegovina. O Brasil sobe para a 21ª posição.
Autor principal do estudo, Sönke Kreft avalia que as grandes precipitações serão o principal problema do planeta nas próximas décadas. O “lado pobre” da Europa, onde se encaixam Sérvia e Bósnia e Herzegovina, estão entre as regiões cada vez mais acometidas pelas mudanças climáticas.
No entanto, mesmo fora do Velho Mundo, o aquecimento global segue um padrão — as vítimas são sempre os mais pobres.
— Os impactos do clima são injustos — conta Kfret, que lidera a equipe de políticas climáticas internacionais da Germanwatch. — Nove dos dez países mais afetados entre 1995 e 2014 estão entre as nações em desenvolvimento de renda mais baixa ou média.
Subsecretário de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha, Garry Conille reforça o alerta:
— Embora a mudança climática afete a todos nós, as comunidades mais pobres e mais vulneráveis do mundo são as mais atingidas — observa Garry Conille, subsecretário de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha. — É crucial que qualquer novo acordo global sublinhe a necessidade de apoiar estas comunidades para se tornarem mais resistentes e reduzir os riscos climáticos que enfrentam.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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