
15/12/2015
Num bosque que sobrevive em meio às encostas desmatadas corre um riacho. Coisa pequena, nem nome oficial tem. Mas se tornou joia na terra devastada pelo maior desastre ambiental do Brasil. Com águas transparentes, ele é um instante de natureza a menos de cinco quilômetros do arruinado distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Voluntários que ajudam pessoas afetadas gostariam que se chamasse Esperança. Pois é nos rios limpos como ele que especialistas depositam as esperanças de recuperar a Bacia do Doce.
Ela não está morta. Mas precisa de sangue novo, da água dos afluentes não afetados. Não basta deixar jorrar. É preciso proteger, desassorear e monitorar rios como o Piranga, o Gualaxo do Sul e o Santo Antônio, afluentes estratégicos para a salvação do Rio Doce devido à qualidade das águas e da biodiversidade. O trabalho já era necessário antes de 5 de novembro. Agora é vital.
O córrego da esperança, no distrito de Santa Rita Durão, deságua perto do lugar onde foi encontrado o corpo de uma das vítimas da tragédia. Como elas, também desaparece sob a lama de rejeitos. Despeja a água limpa no morto Gualaxo do Norte, o rio mais atingido pela tsunami da Samarco.
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