
16/06/2016
Pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) lançaram uma campanha infantil para dar nome aos 35 botos-cinza que ainda sobreviviam na Baía de Guanabara. O objetivo foi criar um laço de afeto entre crianças e os poucos animais da espécie, em extinção acelerada, que ainda habitam a região. Mas, na quarta-feira, Laranjinha, um dos nomes escolhidos, ficou sem seu irmão, e Regina, sem seu filhote. Acerola, de apenas 1 ano e nove meses, foi encontrado morto na Praia da Guanabara, no bairro Freguesia, na Ilha do Governador, com sinais de esquartejamento. Seu corpo apresentava cortes feitos com faca.
Com a morte de Acerola, restam agora apenas 34 botos-cinza na Baía de Guanabara. Regina, Laranjinha e Acerola formavam uma família que, assim como os outros botos da região, era monitorada por especialistas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Uerj.
Para o pesquisador José Lailson, professor de Oceanografia da universidade e coordenador do Maqua, não há dúvidas de que Acerola foi morto por alguém que o dilacerou, o que configura crime ambiental.
— A necropsia indicou que Acerola foi retalhado à faca. Parte das vértebras foi arrancada. Também tentaram retirar a cauda. Ele teve a musculatura dorsal e a camada adiposa retiradas. Desde que começamos a monitorar os botos da Baía, há 24 anos, essa foi a primeira vez que encontramos um animal morto intencionalmente — lamentou Lailson. — Amanhã (sexta-feira), teremos uma reunião no Inea (Instituto Estadual do Ambiente) na qual pretendemos discutir uma forma de aumentar a proteção as botos da Baía.
Fonte: O Globo
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