
05/07/2016
Além de regiões completamente devastadas, a Amazônia está repleta de pequenos trechos, invisíveis aos radares e políticas públicas ambientais, onde há extração ilegal de madeira, queimadas e isolamento do resto da mata. Um estudo internacional publicado ontem, na revista “Nature”, alerta pela primeira vez para a magnitude deste estrago e mostra que a degradação florestal no bioma é tão ameaçadora — às vezes ainda mais — quanto o conhecido desmatamento.
De acordo com os pesquisadores de 18 instituições, entre as quais 11 brasileiras, a perda de biodiversidade nestas regiões perturbadas é comparável à vista nas áreas desmatadas que costumam ser contempladas pelos satélites. Mesmo as localidades com maior nível de proteção assegurado pelo Código Florestal já teriam perdido entre 46% e 61% de seu valor de conservação.
O levantamento foi realizado em 400 áreas de Paragominas e Santarém, dois municípios do Pará localizados na região de fronteira agrícola da Amazônia. Nelas, os pesquisadores analisaram o impacto das perturbações florestais a 1.538 espécies de árvores, 460 de aves e 156 de besouros, usados como indicadores da qualidade do solo.
— Todas as atenções costumam ser voltadas ao desmatamento. Outras formas de distúrbio à floresta eram ignoradas — lamenta a bióloga Joice Ferreira, coautora do estudo e pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental. — A formação de clareiras, um efeito da degradação, pode não parecer tão drástico, mas os animais não resistem à perda do habitat e a mata perde umidade e torna-se mais vulnerável às queimadas e às mudanças climáticas. Este impacto gradual não é considerado pelos programas de conservação.
Erika Berenguer, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Lancaster (Reino Unido), destaca que o Pará abriga mais de 10% das espécies de aves do planeta. Muitas são encontradas apenas no estado.
— A degradação atinge principalmente as espécies raras, que circulam em uma área pequena — explica. — Analisamos duas cidades que foram ocupadas em épocas e por motivos diferentes, mas que acabaram sofrendo o mesmo processo de degradação e impacto à biodiversidade. É possível que este resultados sejam vistos também em várias regiões do Arco do Desmatamento, assim como em outros países onde há florestas tropicais, como o Congo e a Indonésia.
Segundo o mapeamento, a degradação florestal no Pará resultou em uma perda de espécies equivalente a que ocorreria com o desmatamento de 139 mil quilômetros quadrados.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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