
12/07/2016
O cronômetro para o caos climático está correndo, mas a Humanidade ainda não encontrou soluções para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Estudo recente publicado na revista “Nature” indica que as propostas apresentadas pelos 195 países participantes da Conferência de Paris, em dezembro último, são insuficientes para manter o aquecimento médio do planeta abaixo dos 2 graus Celsius (em relação à era pré-industrial). Entretanto, uma técnica inovadora vem ganhando relevância em diferentes locais no planeta como aposta para reverter o quadro. Segundo especialistas, as tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em inglês) ainda enfrentam barreiras econômicas e tecnológicas, mas têm o potencial para frear a escalada de emissões.
— Mais que arriscada, é uma aposta desesperada — pontua Alexandre Szklo, professor de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ. — Mas com a dificuldade que estamos enfrentando para transições mais radicais no setor energético, não temos outras saídas além de derivar para o processo de captura.
A tecnologia ainda é incipiente, mas vem se disseminando. De acordo com relatório da Global CCS Institute, existem no mundo 15 projetos de grande escala em operação, e outros sete em fase de construção. Juntas, essas 22 instalações são capazes de capturar e armazenar 40 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano. Pode parecer muito, mas de acordo com o relatório mais recente da Base de Dados de Emissões para a Pesquisa Atmosférica Global, em 2014 foram emitidas 35,7 bilhões de toneladas de CO2.
Mesmo assim, as expectativas para a abordagem são altas. Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), as tecnologias CCS serão responsáveis por um sexto das reduções de emissões globais requeridas até 2050. Para isso, diz Szklo, é preciso impor um valor econômico para o carbono.
— Como funciona hoje, você está capturando, transportando e armazenando um carbono que não tem valor — diz o pesquisador. — Por causa dos investimentos necessários, as instalações CCS perdem em competitividade.
Em geral, as tecnologias CCS são implantadas em instalações industriais altamente poluentes, sobretudo do setor energético. O processo consiste em capturar o CO2 resultante da combustão de combustíveis fósseis ou de outros processos industriais. Depois dessa filtragem, em vez de lançado na atmosfera, o dióxido de carbono é injetado no subsolo por meio de dutos. Dos 15 projetos de grande escala já em operação, nove estão em plantas de processamento de gás natural, duas de processamento de hidrogênio, duas de produção de fertilizantes, uma de sintetização de gás natural e uma de geração energética.
Os EUA lideram o mercado, com sete empreitadas em funcionamento, seguidos por Canadá (3), Noruega (2), Argélia (1), Arábia Saudita (1) e Brasil (1). O projeto brasileiro é operado pela Petrobras nas plataformas Cidade de Angra dos Reis e Cidade de Paraty, no campo de Lula, e Cidade de São Paulo, no campo de Sapinhoá. Em breve, será iniciado na plataforma Cidade de Ilhabela, também no campo de Sapinhoá. De acordo com a companhia, no ano passado foi atingida a marca de três milhões de toneladas de CO2 separados do gás natural e reinjetados no pré-sal da Bacia de Santos.
A matéria pode ser lida em O Globo
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