
02/08/2016
O Rio de Janeiro nasceu velejando. Ou debaixo de velas na Baía de Guanabara. Foi naquelas águas limpas cercadas por montanhas que uma expedição portuguesa de comandante incerto aportou em 01 de janeiro de 1502 -e, diz a lenda, confundiu a Baía com um rio. Um rio de janeiro. A verdade é provavelmente menos romântica - o cartógrafo Américo Vespúcio pode
ter usado o termo ria - que designava uma entrada de baía - para classificar o que os índios chamavam de "seio de mar" (Gana´Bara).
Foi ali também, no fim do século XIX, que a cidade começou a praticar esportes. A nadar, saltar e remar à sombra de um Pão de Açúcar sem bondinho e de um Corcovado sem Cristo Redentor. A Baía ainda não era dividida por 13 quilômetros de concreto em forma de ponte.
Em 2016, as águas do Rio recebem o mundo outra vez. Mas são águas diferentes. O palco da vela na Olimpíada foi a promessa descumprida mais flagrantes do caderno de encargos brasileiro apresentado em 2009. O plano de tratar 80% do esgoto lançado na Baía não vingou. Apesar dos investimentos e obras, a meta não foi alcançada. Em agosto, 380 velejadores olímpicos poderão enfrentar a poluição que, diariamente, afeta a vida de milhões de habitantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Veja esta reportagem na íntegra no GE
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