
02/08/2016
Postos de gasolina podem ser perigosos à saúde das pessoas? É o que responde o livro "The health and environmental threats related to gas stations" (em português, Perigos à saúde e a ambientes relacionados a postos de gasolina) recém publicado e com editoria da pesquisadora Gilda Alves Brown, doutora em biologia pela UFRJ e integrante do Programa de Oncobiologia.
O livro descreve os riscos à saúde e ao ambiente relacionados com a exposição à gasolina. Nele, os autores, sete no total, falam sobre susceptibilidade genética, possíveis formas de monitoramento de postos e até medidas protetoras que devem ser tomadas, somando ao todo cinco capítulos sobre o tema. A publicação traz ainda o relatório de uma pesquisa de campo realizada pelos autores em 11 postos de gasolina no Rio de Janeiro. O resultado mostra que os riscos não se resumem apenas à saúde das pessoas e passam até por uma questão de segurança pública. Os autores esperam que o trabalho contribua para a prevenção de problemas de saúde de frentistas, assim como para alertar sobre possíveis formas de contaminação do solo e do ar em torno dos postos de gasolina.
A professora Gilda Brown alerta que o risco à saúde é grande e que o problema ocorre em todo o mundo. “O estudo tem um capítulo dedicado à discutir os postos de gasolina em outros países, o que dá a dimensão do problema” explica. Apesar do foco no território nacional, com uma amostragem maior do Rio de Janeiro, o livro apresenta por meio de ilustrações o risco desses estabelecimentos em outros países.
Entretanto, os maiores prejudicados com a exposição aos postos são: os frentistas; a população que vive no entorno; e eventualmente, quem frequenta esses lugares. “Existe risco aumentado de leucemia e de linfomas para aqueles que sofrem de exposição crônica à gasolina” relata Brown. “Temos constatado que os trabalhadores dos postos de gasolina não têm a total dimensão do risco que correm. Com frequência, eles não tomam todas as atitudes necessárias de proteção.”
O problema principal levantado no estudo é a falta de educação relacionada ao tema por parte do frentista, gerente do posto de gasolina e até dos usuários. A professora defende um processo de educação. Ela cita que no Brasil hoje existem cerca de 500.000 trabalhadores de postos de gasolina, segundo o sindicato da categoria. “Seria o caso de criar para esses frentistas uma escola técnica, o que não existe hoje. Esses profissionais precisam estudar e receber treinamento para diminuírem o risco à sua própria saúde e de contaminação ao ambiente. Há formas de diminuição do risco, no entanto, as regras de segurança são ignoradas muitas vezes.”
Os autores defendem a criação de leis para que os postos de gasolina tenham alertas semelhantes aos que os maços de cigarro trazem sobre os perigos à saúde. “São lugares que não devem ser vistos como um ambiente social totalmente seguro. Isso deveria estar explícito nos comerciais veiculados nas televisões de redes de postos de combustível, por exemplo” alerta.
Saiba mais no Portal do Programa de Oncobiologia
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