
18/08/2016
Sonhos são fenômenos psíquicos nos quais realizamos desejos inconscientes. Sonhamos porque “existe algo que não quer conferir paz à mente”, escreveu Sigmund Freud há mais de um século. Em plena Olimpíada, com 380 atletas de 66 países velejando na cidade, sonhar é o que resta aos fluminenses quando o assunto é Baía de Guanabara. Como não se cumpriu a promessa do governo feita à população e ao Comitê Olímpico Internacional — reduzir em 80% o esgoto e o lixo despejados no espelho d’água —, só podemos imaginar o que seria da Baía limpa.
A Baía de Guanabara respira. De seis em seis horas, a maré sobe e desce, embalando 245 espécies de peixes e dois mil pescadores. De 12 em 12 dias, metade de sua água é trocada, renovando boa parte do espelho. Antes de o Rio ser escolhido a sede olímpica de 2016, essa troca com o oceano era comprometida pelo desastre ambiental em que a Baía se transformou com o passar do tempo e das promessas de saneamento não cumpridas. Há poucos anos, cem toneladas de lixo eram despejadas por dia em suas águas. Dos 20 metros cúbicos por segundo de esgoto gerados por quem vive ao redor do espelho — 11,3 milhões de pessoas espalhadas por 15 municípios —, nada menos que 70% eram lançados sem qualquer tratamento. O Rio, no entanto, aproveitou a oportunidade olímpica e ganhou sua medalha de ouro: a Baía está limpa.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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