
11/10/2016
O analista de contas médicas Glauco Rocha estava atrasado para um compromisso no Centro na tarde de ontem. Era tamanha a pressa que ele não teve tempo de observar, antes de atravessar a Avenida Rio Branco, com o sinal fechado para pedestres, que, bem atrás dele, vinha um VLT, acompanhado por um batedor. Quase foi atropelado.
— O VLT estava parado e, de repente, arrancou. Fui pego de surpresa. Eu deveria ter tido um pouco mais de cuidado — reconheceu o rapaz.
É, os cariocas ainda não aprenderam a se comportar diante do VLT, mesmo com o auxílio dos batedores, motociclistas que, desde o início da operação dos bondes, em junho deste ano, abrem caminho para as composições, sinalizando suas chegadas e partidas. E essa “mãozinha” tem previsão de acabar: os batedores serão retirados até o final do ano, segundo a secretaria municipal de Transportes. Os testes já começaram: fora dos horários de pico, há VLTs circulando sem eles. A população terá que aprender a se resguardar por conta própria, o que parece estar longe de acontecer...
— Prefiro andar pelos trilhos, porque, na calçada, as pessoas andam muito devagar — disse o programador Rafael Menezes, que caminhava pelos trilhos, alheio a um VLT que se aproximava.
O livreiro Eduardo Mezzonato, que mora na Cidade Nova e trabalha no Centro, assumiu que pedala pela via exclusiva do VLT diariamente.
— Não acho arriscado. Ando ligado; quando o VLT se aproxima, eu troco de pista. Aqui não tem ciclovia — tentou justificar o rapaz.
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