
18/10/2016
Quando o Kinect foi lançado, há cerca de seis anos, a turma aficionada por games ficou encantada com o dispositivo, um sensor de movimentos que, acoplado a um console, conseguia captar os gestos dos jogadores diante da TV, sem a necessidade de fio e joystick. Mas teve também muito cientista com os olhos atentos às possibilidades do equipamento, que poderiam ir muito além da diversão. Foi o caso da analista de sistemas Thais Rodrigues de Souza, que durante o curso de mestrado em ciências da computação, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), decidiu provar que era possível entrar na brincadeira para criar modelos em 3D de peças resgatadas em sítios arqueológicos.
O trabalho consistiu na modelagem em resina de três peças metálicas encontradas nas escavações do espaço funerário da Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, no Centro do Rio, terreno que hoje pertence à Biblioteca Parque Estadual, aberta em 2014. Foram replicados o fragmento de um ferro de passar, do início do século XX, e uma lâmina de machado e uma panela de ferro, de meados do século XIX. O acervo estava no Laboratório de Conservação de Objetos Metálicos, no Museu de Astronomia (Mast), em São Cristóvão.
Na semana passada, o resultado do trabalho, inédito, foi apresentado num seminário sobre novidades no campo da preservação de patrimônio arqueológico, no Mast:
— Há outras técnicas de reconstrução 3D aplicadas à documentação do patrimônio arqueológico no Brasil, mas que são muito caras, principalmente para os arqueólogos autônomos. Essas técnicas auxiliam na preservação, no processo de documentação dos artefatos e dos sítios arqueológicos, possibilitando criar réplicas digitais, que podem ser usadas no laboratório, para evitar o manuseio e a exibição em exposições de peças muito frágeis — explica a arqueóloga Guadalupe Campos, que foi uma das orientadoras de Thais no projeto.
Ainda de acordo com Guadalupe, a digitalização funciona como um retrato do objeto, no momento em que ele foi recuperado do sítio:
— As peças, principalmente as metálicas, sofrem a ação do tempo depois que são retiradas do solo. Assim, podemos avaliar melhor o processo de degradação ou a estrutura arqueológica. É uma ferramenta que auxilia nos procedimentos de restauro.
A matéria pode ser lida em O Globo
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