
18/10/2016
O cardápio nas escolas municipais do Rio tem arroz, feijão, couve e outros produtos nutritivos. Mas, segundo uma análise do Greenpeace Brasil, pode ter também procimidona, metamidofós e mais “ingredientes” de nomes estranhos. Em uma pesquisa inédita, a organização adquiriu 20 amostras de alimentos, ou 40kg de comida, de um fornecedor da rede de ensino carioca. Na avaliação dos produtos, foram encontrados agrotóxicos em 60% das 20 amostras. E 45% apresentaram alguma irregularidade, como a presença de um pesticida proibido no Brasil, o metamidofós, que, de acordo com o Greenpeace, foi verificado em 10% das amostras.
Dentre as amostras, 35% apresentaram agrotóxicos não permitidos para aquela cultura específica. Em 20%, havia pesticidas acima do limite permitido. E, finalmente, 35% das amostras continham resíduos de duas ou mais substâncias diferentes — o que não é proibido mas, segundo especialistas, acende o alerta para um “efeito coquetel” cujos malefícios para a saúde ainda precisam ser estudados.
Somente no pimentão amarelo, por exemplo, foram encontrados sete agrotóxicos diferentes.O Rio foi o “laboratório” escolhido porque, segundo dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) pesquisados pelo Greenpeace, a prefeitura não destinou nenhuma verba do Plano Nacional de Alimentação Escolar para agricultura familiar em 2014. Uma lei federal determina que este percentual seja de pelo menos 30%. Capitais como Porto Alegre e Belo Horizonte têm desempenho bem melhor, com percentuais, respectivamente, de 35,9% e 29,7% .
— Os resultados que encontramos foram espantosos. Não se trata de vilanizar o agricultor individual, mas de cobrar saídas do poder público. O que o levantamento revela é uma falta de controle, e as propostas que tramitam atualmente no Congresso vão potencializar esse cenário — aponta Rafael Cruz, membro da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil, se referindo a uma comissão especial na Câmara dos Deputados que discute a substituição da atual Lei dos Agrotóxicos.
Hoje, o controle dos agrotóxicos é atribuição, principalmente, do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e, com relação aos impactos ambientais do uso desses produtos, do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama). Um exemplo da falta de controle a que se refere Cruz é a já longínqua publicação, em 2012, da mais recente edição do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para) — publicação da Anvisa que monitora os níveis de pesticidas. Segundo a agência, o programa está sendo reformulado, sem previsão de retorno.
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