
01/11/2016
Depois de vários anos de queda, o desmatamento voltou a crescer na Amazônia. A situação é grave em lugares. Em Lábrea, município onde mais se destrói a floresta em todo o estado do Amazonas, o desmatamento ilegal na região é uma atividade econômica organizada.
Localizado às margens do Rio Purus, no sul do estado do Amazonas, o município de Lábrea tem cerca de 40 mil habitantes. A cidade é cercada por áreas de floresta fechada e fazendas de gado, típicas da região.
Mas, desde 2008, Lábrea faz parte da lista negra do Ministério do Meio Ambiente, que identifica os municípios que mais destroem a floresta. Só em 2015, foram mais de 24 mil hectares de derrubadas.
A maior parte dos problemas vem de uma região distante, no sul do município, território de acesso complicado para onde foi de helicóptero uma equipe de fiscalização do IBAMA.
O desmatamento no sul de Lábrea cresce constantemente nos últimos cinco anos. Quase todas as áreas se destinam a fazendas de pecuária. Nos locais onde havia com floresta fechada, hoje tem pasto e gado.
Atualmente, a região concentra mais de 450 mil cabeças de gado. As áreas com mais derrubadas ficam perto da divisa com Rondônia e Acre. O território está oficialmente em Lábrea, mas na prática fica isolado da sede do município e tem mais ligação com os estados vizinhos. A cidade possui mais de 68 mil quilômetros quadrados, o equivalente a uma vez e meia do território de um estado como o Rio de Janeiro.
Na paisagem, o que não falta é desmatamento recente. Há troncos espalhados e áreas enormes destruídas pelo fogo. Ao sobrevoar o território indígena Kaxarari, a equipe de reportagem flagrou a extração ilegal de madeira dentro da reserva. Os fiscais fotografaram as toras e registraram as coordenadas do lugar com ajuda de um GPS.
A primeira parada da equipe de fiscalização do IBAMA é em uma fazenda que foi embargada há alguns anos por fazer desmatamento ilegal. Pela lei, essa área não poderia ser usada pra pecuária e deveria estar sendo recuperada. Ao chegar de surpresa, os fiscais tentam levantar informações e localizar o proprietário. Para garantir a segurança, a operação conta com apoio da Polícia Ambiental do Amazonas.
Saber quem são e onde estão os donos das fazendas é uma dificuldade comum pela região. No sul de Lábrea, poucas pessoas têm título da terra. A maior parte dos que se dizem proprietários mora em outros municípios ou em outros estados do país.
Em outra operação, por terra, os fiscais chegaram a uma fazenda onde ocorreram o desmatamento e a queima sem autorização ambiental. Cerca de dois mil hectares foram derrubados e devorados pelo fogo. Na sede, os fiscais encontraram uma situação curiosa. A casa parecia habitada, com utensílios e roupas no varal. Mas as portas e janelas estavam trancadas. Na varanda, tinha um rádio ainda ligado. Na área de floresta destruída havia troncos e galhos carbonizados, cinzas pelo chão, fumaça e até fogo em certos lugares.
A matéria pode ser lida no G1
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