
08/11/2016
Os discursos sobre a necessidade de conter as mudanças climáticas devem se tornar ações a partir desta sexta-feira, quando entra em vigor o Acordo de Paris, no qual países ao redor do mundo concordaram em ter metas obrigatórias de reduzir, ou ao menos limitar o crescimento, de suas emissões de gases causadores do efeito estufa entre 2020 e 2030. Mas o tratado chega cercado de questionamentos. Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) expõe grandes diferenças entre os cortes de emissões assumidos nesses compromissos nacionais e os necessários para manter o aquecimento global abaixo dos 2 graus Celsius até o fim do século — na comparação com as temperaturas registradas antes da Revolução Industrial, patamar considerado mínimo pelos cientistas para evitar as piores consequências das mudanças climáticas.
De acordo com a análise do Pnuma, mesmo se todos países cumprirem suas metas do Acordo de Paris, tanto as incondicionais quanto as condicionadas a parâmetros socioeconômicos exigidos por algumas nações, em 2030 as emissões globais anuais atingirão de 54 a 56 gigatoneladas (bilhões de toneladas) equivalentes de dióxido de carbono (CO2), o principal gás-estufa emitido pela ação humana. Os números, no entanto, estão bem acima da média de 42 gigatoneladas estimada pelos cientistas nas emissões deste ano no futuro para que haja alguma chance de o aquecimento global ser limitado a 2 graus Celsius até 2100, e ainda mais distantes do necessário para que esta alta na temperatura média do planeta não passe de 1,5° C até o fim do século, novo objetivo delineado no acerto fechado no ano passado durante a 21ª Conferência do Clima (COP-21), sediada na capital francesa, e que reduziria ainda mais os impactos das mudanças climáticas.
Diante disso, autoridades, especialistas e ativistas ambientais pedem um esforço maior, e mais urgente, de todos países para fechar estas lacunas, excedendo ou apressando o cumprimento tanto das metas obrigatórias do Acordo de Paris para 2030 quanto das reduções ou limitações voluntárias no crescimento das emissões de gases-estufa até 2020 apresentadas na 16ª Conferência do Clima (COP-16) realizada em 2010 em Cancún, México. E a oportunidade para avançar nisso é justamente agora na 22ª Conferência do Clima (COP-22), que acontece a partir da próxima segunda-feira até o dia 18 de novembro em Marrakech, Marrocos.
— Se não realizarmos ações adicionais agora, começando pela vindoura reunião do clima em Marrakech, vamos lamentar sobre uma tragédia humana evitável — afirmou Erik Solheim, chefe do Pnuma. — Os crescentes números de refugiados do clima atingidos pela fome, pobreza, doenças e conflitos serão uma constante lembrança do nosso fracasso. A ciência mostra que precisamos ir mais rápido.
Leia a matéria completa em O Globo
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