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COP 22: últimos 5 anos foram os mais quentes já registrados

10/11/2016

Se no cotidiano as pessoas pouco percebem as alterações no clima, os termômetros alertam: o caos climático já está aquecendo. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados, e evidências sugerem que as ondas de calor e outros extremos como fortes tormentas, como o furacão Matthew, são provocados pela ação humana.
— Nós tivemos o período de cinco anos mais quente já registrado, com 2015 alcançando o título de ano mais quente de todos os tempos. E até mesmo esse recorde deve ser batido em 2016 — disse o secretário-geral da WMO.
A organização pontua que eventos climáticos extremos sempre aconteceram naturalmente, mas as emissões de gases do efeito estufa aumentaram os riscos desses eventos acontecerem em mais de dez vezes. Entre os piores exemplos, a WMO destaca a seca de 2011 e 2012 no nordeste africano, que provocou a morte de mais de 250 mil pessoas; e o Tufão Haiyan, que atingiu as Filipinas em 2013 e matou 7,8 mil pessoas. Em 2012, a supertempestade Sandy gerou prejuízos de US$ 67 bilhões, principalmente nos EUA.
A temperatura média do planeta no período entre 2010 e 2015 superou o intervalo entre 2006 e 2010, que detinha o recorde de mais quente desde que os registros começaram a serem feitos, ainda no século XIX. O aquecimento foi acompanhado por uma elevação gradual nos níveis dos oceanos, provocada pelo derretimento de glaciares e camadas de gelo. As mudanças, diz a WMO, “confirmaram a tendência de aquecimento de longo prazo causada pelos gases do efeito estufa”.
A organização ressalta que o prognóstico para o futuro próximo é ainda mais assustador. No ano passado, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera superou as 400 partes por milhão pela primeira vez. O marco, além de simbólico, serve como um sinal vermelho para a Humanidade. Projeções indicam que se a concentração de carbono alcançar 450 ppm, as chances de manter o aquecimento abaixo de 2 graus Celsius em relação ao período pré-industrial são pequenas.
O ano de 2015 também foi o primeiro a registrar, na média, aquecimento superior a 1 grau Celsius em relação ao período pré-industrial, mas parte do aquecimento pode ter sido provocado pelo El Niño. Pelo acordo de Paris, os países signatários se comprometeram a somar esforços para manter o aquecimento abaixo de 2 graus Celsius, e, no melhor dos cenários, abaixo de 1,5 grau.

Fonte: O Globo

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