
10/11/2016
As mudanças climáticas aumentaram a frequência dos fenômenos meteorológicos extremos - em particular, secas e ondas de calor - entre 2011 e 2015, afirma a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em um relatório publicado nesta terça-feira (8) no Marrocos.
"As mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas favoreceram inúmeros eventos meteorológicos extremos registrados entre 2011 e 2015", afirma a OMM no documento publicado durante a 22ª Conferência do Clima anual da ONU (COP22), realizada na cidade marroquina de Marrakesh.
"A probabilidade de que haja temperaturas extremas se multiplicou por dez e, inclusive mais", adverte a organização.
Temperaturas recordes nos Estados Unidos em 2012 e na Austrália em 2013, verões quentes no leste asiático e Europa ocidental em 2013, ondas de calor na primavera e no outono de 2014 na Austrália, recorde anual de calor na Argentina em dezembro de 2013: todos estes são fenômenos cuja probabilidade aumentou fortemente com as mudanças climáticas, explica o estudo.
As pesquisas que examinam os vínculos entre fenômenos extremos e mudança climática são cada vez mais numerosas, e a maioria é publicada no boletim da Sociedade de Meteorologia americana.
Com 79 estudos publicados a respeito do tema entre 2011 e 2014 nessa revista, assinala a OMM, mais da metade estabeleceu um vínculo entre as mudanças climáticas e os fenômenos extremos estudados.
Embora admitam que é impossível atribuir um acontecimento em particular às mudanças climáticas, os trabalhos dos climatólogos mostram que os fenômenos extremos serão mais numerosos à medida que as mudanças climáticas se intensifiquem.
O relatório da OMM, que se concentra nos últimos anos, confirma essa tendência.
Os efeitos das mudanças climáticas (aumento da temperatura média mundial, tanto nos continentes como nos oceanos, subida do nível do mar, derretimento das calotas polares) "aumentaram os riscos de eventos extremos como ondas de calor, recorde de precipitações e inundações", destaca Petteri Taalas, secretário-geral da OMM.
O período de cinco anos mais quente já registrado foi o de 2011 a 2015, em todos os continentes menos na África, onde foi o segundo período mais quente, e a temperatura média foi 0,57°C acima da média de 1961 a 1990.
O ano de 2015 foi o ano mais quente já registrado, com a temperatura média mais de 1ºC acima do nível anterior à Revolução Industrial, lembra a organização.
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