
22/11/2016
A cooperação entre as instituições científicas é melhor o caminho para lidar com as crises e emergências em Saúde Pública– esse foi o legado deixado pelo Simpósio realizado entre os dias 7 e 10 de novembro na Academia Nacional de Medicina. Organizado por meio de uma parceria entre a Academia Nacional de Medicina, o Instituto Oswaldo Cruz e a Academia Brasileira de Ciências, o Simpósio reuniu mais de 60 pesquisadores de 13 países diferentes para discutir os avanços e desafios da pesquisa sobre o Zika vírus, um ano após a declaração do estado de emergência em Saúde Pública no país.
O Simpósio, que durou 4 dias e teve como marcas a multidisciplinaridade e a troca de experiências, foi dividido em duas etapas: nos dias 7 e 8, foi discutida a epidemia de Zika vírus do ponto de vista das Américas - representantes das Academias de Medicina e Ciências abordaram como a crise, que não é uma crise exclusivamente de Saúde, está afetando estes países e quais os mecanismos utilizados para lidar com a situação. O caráter internacional do Simpósio ficou ainda mais evidente com a participação de organizações supranacionais como a rede IANAS (Inter-American Network of Academies ofSciences) e o IAP for Health, que trata de temas de saúde global.
Foram apresentados estudos ainda pouco disseminados no Brasil, como o do Professor Ian Lipkin, especialista da Columbia University, dos Estados Unidos, que alerta para o fato de que a infecção pelo Zika vírus em gestantes pode ter consequências que vão muito além da microcefalia. Segundo o cientista, fetos expostos ao vírus podem desenvolver transtornos como autismo, esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno de déficit de atenção, mesmo em crianças que nasçam sem sinais de microcefalia ou dificuldades cognitivas óbvias. Para isso, ressaltou a importância de um acompanhamento a longo prazo, chamando atenção para o fato de que 80% das infecções por Zika são assintomáticas.
O evento também contou com a presença da Dra. IlonaKickbusch, Diretora do Global Health Centre, que esteve envolvida no desenvolvimento do Quadro Europeu de Políticas de Saúde para 2020. A ex-Diretora do Programa de Saúde da Universidade de Yale apresentou alternativas para o gerenciamento de crises globais de saúde, destacando o protagonismo de organizações não governamentais, instituições de pesquisa e até mesmo a sociedade civil.
A matéria pode ser lida no Jornal do Brasil
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