
08/12/2016
Ela tinha todo o direito de se recolher, chorar e viver o luto. Mas preferiu arregaçar as mangas, botar as mãos na terra e plantar quatro mil árvores. Viúva de uma das 154 vítimas do voo 1907 da Gol, derrubado pelo jato Legacy numa área de floresta no Mato Grosso há dez anos, Denise Thomé conseguiu transformar a dor em força para batalhar por um projeto sonhado por seu marido, a ONG Vale Verdejante. Dois meses após o acidente aéreo, ela plantou as primeiras 50 mudas. Alguns plantios e muitos testes depois, investiu o dinheiro da indenização na compra de um terreno de 30 mil metros quadrados onde fundou, em 2008, o Parque Ecológico Mauro Romano, em Andrade Costa, município de Vassouras, interior do Rio.
— Na época do acidente, uma médica amiga da família, que participava de um grupo de apoio ao luto, me incentivou a canalizar a dor da perda para a criação de algo novo. Foi importante para mim — conta Denise Thomé, de 58 anos, que foi casada com Mauro Romano por 24.
Sábado passado, os dez anos do acidente aéreo que tirou a vida do engenheiro carioca de 50 anos, apaixonado pela natureza, foram lembrados durante um plantio coletivo, que mobilizou mais de cem pessoas. Foram plantadas 500 mudas de palmito-juçara, espécie ameaçada de extinção devido à extração ilegal e à destruição da Mata Atlântica. Crianças e adultos de Andrade Costa, além de familiares e amigos, participaram.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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