
10/01/2017
Um novo levantamento comprova a relação entre a pobreza e o aquecimento global. De acordo com estudo da consultoria Verisk Maplecroft, especializada em direitos humanos e questões ambientais, 18 dos 20 países mais vitimados pelas mudanças climáticas são africanos. Na outra ponta do ranking, quatro dos cinco menos afetados são europeus. Entre as 191 nações avaliadas, o Brasil figura na 91ª posição — quanto mais alta é a colocação no índice, menor é a ameaça de ocorrência de eventos extremos.
O Brasil sofre mais risco de mazelas climáticas do que a China (136ª) e os EUA (160º). A queda significativa da pluviosidade, sobretudo na Região Nordeste, contribuiria para que a temperatura média do país aumentasse mais de 2 graus Celsius até 2040.
— Os principais impactos estão relacionados ao aumento da estiagem e à variação do regime de chuvas — conta Richard Hewston, analista de riscos ambientais da Verisk Maplecroft. — A pluviosidade pode ser reduzida em até 40% no Nordeste. Essas mudanças vão repercutir no desempenho de culturas agrícolas, como a soja, o milho e o arroz.
O Centro-Sul do país, por sua vez, deve registrar maior pluviosidade. No entanto, este fenômeno ocorreria de forma irregular.
— Como resultado, a região terá mais inundações e deslizamentos de terra, como vimos no início do ano em São Paulo — lembra. — Como as hidrelétricas são fonte de pelo menos 60% da energia do país, a crescente alteração na ocorrência das chuvas sob as mudanças climáticas tornará o gerenciamento dos níveis de reservatórios mais desafiador.
A criação do ranking baseou-se no resultado de 44 questões, incluindo mudanças climáticas, desmatamento, água, riscos naturais e regulação ambiental. Os cientistas que assinam o trabalho temem que a boa posição americana corrobore a rejeição do presidente eleito Donald Trump a políticas para combate ao aquecimento global.
— Existem várias áreas de risco na Costa Leste americana, particularmente na Flórida — sublinha Hewston. — São regiões densamente povoadas e sujeitas a eventos como o furacão Matthew, em outubro, além de ciclones tropicais e surtos de tempestade. A população está em risco. Há a hipótese de que Trump, pensando nos próximos cinco ou dez anos, retire os EUA do Acordo de Paris (tratado internacional que propõe o limite do aquecimento global a 2 graus Celsius). Com isso, vai ignorar como as mudanças climáticas que ocorrerão depois deste período serão custosas.
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