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Iceberg com 5 mil km² está prestes a se desprender da Antártica

10/01/2017

Um imenso iceberg com tamanho estimado em cerca de 5 mil quilômetros quadrados, aproximadamente a área do Distrito Federal, pode se soltar em breve de uma das grandes plataformas de gelo da Antártica, alertaram nesta sexta-feira duas instituições britânicas de pesquisas no continente. Conhecida como Larsen C, a plataforma — extensões flutuantes das geleiras continentais que formam a calota polar Sul, e que podem ter centenas de metros de espessura — é a maior das três principais que existiam no litoral Leste da Península Antártica e enfrenta o avanço de uma enorme fenda que começou a se abrir em 2010 e hoje ultrapassa os 130 km de extensão. A menor delas, Larsen A, se soltou em 1995 e já derreteu completamente, enquanto a Larsen B teve um colapso parcial do tipo em 2002 e desde então se fragmentou e encolheu rapidamente, devendo desaparecer até o fim desta década.
Segundo pesquisadores do Levantamento Antártico Britânico (BAS, na sigla em inglês) e do Projeto Midas — parceria das universidades galesas de Swansea e Aberystwyth com o próprio BAS —, que monitoram a situação na Larsen C tanto no local quanto com auxílio de satélites, a fissura de cerca de 100 metros de largura e 500 metros de profundidade cresceu 18 km em comprimento só na segunda metade do mês passado, restando apenas uma faixa de cerca de 20 km de gelo ainda segurando o pedaço ao restante da plataforma. Caso se solte de fato, este bloco entrará na lista dos dez maiores icebergs que já se desprenderam da Antártica.
— A soltura deste grande iceberg pode ser o primeiro passo para o colapso da plataforma Larsen C, o que resultaria na desintegração de uma enorme área de gelo em numerosos icebergs e fragmentos menores — disse o glaciologista David Vaughan, diretor de Ciência do BAS, acrescentando que, devido à instabilidade da plataforma, os cientistas não estão acampando no gelo da Larsen C nesta temporada de pesquisas na Antártica, que coincide com o verão no Hemisfério Sul, e se deslocando de avião até o local. — Os pesquisadores agora só podem fazer viagens de um dia a partir da Estação de Pesquisas Rothera (mantida pelo Reino Unido do outro lado da Península Antártica em relação à Larsen), com a aeronave permanecendo de prontidão nas proximidades.
Já de acordo com o Projeto Midas, o pedaço que está se soltando corresponde a mais de 10% da área da Larsen C e deixará a frente da plataforma na posição mais recuada já registrada, num “evento que vai mudar fundamentalmente a paisagem da Península Antártica”, destacou o grupo em um comunicado. “Já demonstramos previamente que esta nova configuração será menos estável do que era antes da fissura, e que a Larsen C pode eventualmente seguir o exemplo da vizinha Larsen B, que se desintegrou em 2002 após um evento de quebra similar”, acrescenta o texto.
— Se ele (o pedaço da plataforma) não se soltar nos próximos meses, ficarei pasmado. Ele está tão perto de se desprender que acho que isso é inevitável — comentou Adrian Luckman, líder do Projeto Midas e professor da Universidade de Swansea, em outro comunicado divulgado pela instituição galesa. — Com isso, esperamos mais eventos de quebra nos próximos meses a anos, e talvez um eventual colapso. Isso é algo difícil de prever, mas nossos modelos dizem que ela (a Larsen C) ficará menos estável.
Segundo os cientistas, a quebra e derretimento das plataformas de gelo da Antártica, como a Larsen C, não deverão contribuir significativamente para a elevação dos níveis dos oceanos, pois essas massas já estão flutuando na água. Seu desaparecimento, porém, vai acelerar o deslocamento das geleiras continentais para o litoral, e é este gelo adicional sim que pode provocar um aumento no nível do mar. Pelos cálculos dos pesquisadores, se todo gelo que está sendo contido no continente pela Larsen C chegar ao oceano, o nível dos oceanos pode subir em 10 centímetros globalmente. Por fim, eles destacam que embora não seja possível afirmar que o colapso das plataformas de gelo do Polo Sul esteja diretamente ligado às mudanças climáticas, o aquecimento global provavelmente está contribuindo para a ocorrência desses eventos ao afinar e tornar mais frágeis essas estruturas.

Fonte: O Globo

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