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Terra teve condições de evoluir vida complexa muito antes do que se pensava

19/01/2017

As evidências fósseis mais antigas conhecidas atualmente indicam que a vida já existia na Terra por volta de 3,7 bilhões de anos atrás. Eram organismos simples, unicelulares e sem um núcleo definido para guardar seu material genético, conhecidos como procariontes e pertencentes aos domínios chamados Archaea e Eubacteria. Já a vida mais complexa, em que as células primeiro adquiriram um núcleo definido, conhecidas como eucarióticas, e depois se juntaram em organismos pluricelulares, formando o domínio Eukarya – que engloba todos os animais, plantas, fungos e algas – só começa a aparecer nos registros fósseis por volta de 1,7 bilhão de anos atrás.
Durante décadas, os cientistas creditaram esta lacuna de cerca de 2 bilhões de anos na evolução à baixa concentração de oxigênio no ambiente do planeta, tanto na atmosfera quanto diluído nos oceanos, que então concentravam toda a vida existente. Mas agora um novo estudo sugere que há 2,4 bilhões esta concentração era alta o suficiente para que a vida complexa se desenvolvesse, numa “janela” que durou até pelo menos 2 bilhões de anos atrás, quando então os níveis de oxigênio desabaram. As razões que levaram tanto à elevação quanto à queda, no entanto, são desconhecidas.
Para determinar quanto oxigênio na forma de gás existia no ambiente terrestre há tanto tempo, os cientistas se voltaram para outro elemento, chamado selênio. Analisando traços de selênio em camadas de xisto datadas entre 2,4 bilhões e 2 bilhões de anos atrás, eles encontraram sinais de oxidação do elemento, com posterior reação de redução que deixa uma espécie de “assinatura” química nestas rochas, que só poderiam ocorrer em situações de altas concentrações de oxigênio no ambiente.
Segundo Roger Buick, professor da Universidade de Washington, EUA, e coautor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira no periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), isto significa que houve um período longo o bastante, de mais de um quarto de bilhão de anos, para que a vida mais complexa se desenvolvesse então.

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