
02/02/2017
No reinado de Momo, purpurina e glitter são soberanos em blocos de rua e no Sambódromo. Mas a onipresença desses microplásticos no carnaval preocupa ambientalistas, atentos ao escoamento desse tipo de material no mar, onde o produto demora séculos até se decompor. Assim, ecologistas propõem aos foliões que evitem os adereços que tanto brilho conferem à festa.
A polêmica ganhou as redes sociais esta semana, com um texto do site "Pedra Ambiental" intitulado "Glitter e purpurina: a brincadeira de carnaval que destrói a vida nos oceanos". O artigo foi intensamente compartilhado, intrigando entusiastas do carnaval. Mas diferentes estudos científicos reforçam o argumento dos ambientalistas.
Uma pesquisa publicada em 2015 na revista “Nature” estimou que cerca de 8 milhões de toneladas métricas de plástico chegam anualmente nos oceanos. Outro levantamento, divulgado na “Environmental Research Letters”, indicou que até 236 mil toneladas métricas seriam de microplásticos — uma quantidade 37 vezes maior da calculada até então. A diferença equivale ao peso de 1.300 baleias azuis.
Biólogo e especialista em vida marinha do Instituto Oswaldo Cruz, Salvatore Siciliano alerta que o plástico pode demorar centenas de anos até entrar em decomposição. E o mar está cheio de exemplos sobre seus danos.
— Já encontrei um bagre que engoliu uma camisinha, que acabou perfurando seu estômago — conta. — Mesmo falando apenas de microplásticos, acho que o carnaval contribui para a degradação do meio ambiente. A pururpina e o glitter deveriam ser desestimulados. Por que não usar urucum, como faziam os índios? Seria melhor para todos.
Cláudio Gonçalves Tiago, pesquisador do Centro de Biologia Marinha (Cebimar-USP), reconhece que os microplásticos podem atrapalhar a obtenção de alimentos para os organismos.
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