
23/02/2017
Quase 1,4 milhões de crianças correm risco iminente de morte por desnutrição, em consequência das crises de fome que pairam sobre Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iêmen. O alerta foi divulgado, nesta terça-feira, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), um dia depois que foi declarado estado de fome no Sudão do Sul — onde, por causa da guerra civil desde 2013 e da hiperinflação, muitas pessoas não têm acesso a alimentos básicos. O diretor-executivo da agência das Nações Unidas, Anthony Lake, disse que a situação exige urgência para ser solucionada.
— O tempo está correndo contra mais de um milhão de crianças. Ainda podemos salvar muitas delas. A desnutrição severa e a fome iminente são, em grande parte, causadas pelo homem — denunciou Lake. — Nossa Humanidade precisa de uma ação mais rápida. Não podemos repetir a tragédia de 2011, da fome no Nordeste africano.
No nordeste da Nigéria, o número de crianças com casos severos de desnutrição deve chegar a até 450 mil neste ano para os estados de Adamawa, Borno e Yobi. As localidades são afetadas pela viiolência do grupo terrorista Boko Haram. A inanição pode chegar a outros estados, onde a ajuda humanitária tem pouco acesso, como já aconteceu — e ainda ocorre — em Borno, segundo o sistema de monitoramento de fome Fews Net.
Já na Somália, as condições da seca ameçam uma população já fragilizada por décadas de guerra civil no país. De acordo com o relatório da Unicef, quase metade da população — cerca 6,2 milhões de habitantes — enfrenta uma grave insegurança em relação aos alimentos e precisa de assistência humanitária. Pelo menos 185 mil crianças devem sofrer com desnutrição ainda neste ano. No entanto, o número pode aumentar para 270 mil nos próximos meses.
No Sudão do Sul, país afetado pela guerra civil, pobreza e incertezas, mais de 270 mil crianças estão subalimentadas. A fome foi declarada recentemente por outros organismos das Nações Unidas, principalmente na região centro-norte do país, onde vivem 20 mil crianças. O número total de pessoas que vivem sob a escassez de alimentos deve subir de 4,9 milhões para 5,5 milhões em julho, se nada for feito para frear a crise alimentar.
E, ainda, no Iêmen, onde uma guerra civil já dura dois anos, 462 mil crianças sofrem com casos severos de má nutrição — um aumento de quase 200% desde 2014.
O Unicef informou que está trabalhando com parceiros para providenciar tratamento terapêutico as crianças desnutridas nos quatro países.
Fonte: O Globo
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