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Frear o aquecimento global é a única opção para salvar os recifes de corais

16/03/2017

A adoção de medidas para redução da poluição e evitar a sobrepesca não são mais suficientes para salvar os corais do mundo, alerta um estudo publicado na “Nature” nesta sexta-feira sobre a Grande Barreira de Corais da Austrália. De acordo com os pesquisadores, o fenômeno de branqueamento, provocado pelo estresse do aumento das temperaturas, só pode ser contornado declarando guerra ao aquecimento global.
— Nós não temos ferramentas para proteger os corais do clima — disse Terry Hughes, diretor do ARC Center of Excellence for Coral Reef Studies, baseado na Austrália, em entrevista à Associated Press. — Isso é preocupante. Nós não podemos barrar o branqueamento agindo localmente. Nós realmente temos que fazer algo sobre as mudanças climáticas.
Em todo o mundo, recifes que ostentavam corais coloridos e um ecossistema vibrante estão se transformando em cemitérios brancos e desolados. A mortandade por causa do branqueamento de corais se tornou mais frequente com o aumento das temperaturas dos oceanos, provocado pela maior concentração de gases-estufa na atmosfera. A água quente estressa os corais, forçando-os a expelir as algas coloridas que vivem dentro deles. Com isso, eles ficam vulneráveis a doenças fatais. Com o tempo, os corais branqueados podem se recuperar se a água esfriar, mas se a temperatura se mantiver elevada por muito tempo, o coral morre.
E a preservação dos corais é crucial para a manutenção da vida marinha como a conhecemos. Conhecidos como florestas subaquáticas, eles produzem parte do oxigênio que respiramos e, apesar de ocuparem apenas uma fração dos oceanos, fornecem habitat para uma em cada quatro espécies marinhas. Os recifes também servem de proteção para zonas costeiras. Nos últimos anos, cientistas e governos trabalharam juntos para tentar salvar esses ecossistemas. No Havaí, por exemplo, no ano passado o governo limitou a pesca e estabeleceu novas áreas de proteção marinha, além de controlar a poluição. O objetivo era fornecer proteção para evitar que os corais sofressem com o branqueamento e permitir que eles se recuperassem.
Mas o estudo realizado na Austrália mostra que esses esforços são em vão. A Grande Barreira de Corais passou por três grandes eventos de braqueamento, sendo o pior no último ano. Com levantamentos aéreos e análises submarinas, os cientistas descobriram que a severidade do fenômeno está relacionado diretamente com a temperatura das águas. A região norte da Barreira experimentou as maiores temperaturas, e centenas de recifes sofreram branqueamento severo, não importando a boa qualidade da água e o banimento da pesca.

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