
28/03/2017
A equipe de pesquisadores do projeto International Ocean Discovery Program (IODP)/ Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), descobriu que o novo bioma recifal marinho amazônico tem área de pelo menos 50 mil Km2, o que o torna o maior sistema recifal do Brasil. O primeiro estudo sobre o novo bioma, publicado em abril de 2016, estimava a área em aproximadamente 9500 Km2, ou seja, pelo menos cinco vezes menor.
“Inicialmente havíamos estimado a área deste novo bioma em aproximadamente 9000 Km2. Em janeiro e fevereiro de 2017, observamos novas estruturas recifais pela primeira vez por meio de mergulhos com submarino a profundidades de até 200 m. Com isto, verificamos que o novo bioma se estende para muito além dos 9000 Km2, provavelmente 35 mil Km2, podendo chegar a 100 mil Km2 “, explica Fabiano Thompson, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Thompson compõe a equipe de pesquisadores juntamente com os professores Eduardo Siegle, da Universidade de São Paulo (USP); Ronaldo Francini, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Nils Asp, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Também contribuíram para o projeto os professores Carlos Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e Alberto Figueiredo, da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Outra novidade é a própria arquitetura do bioma. O uso inédito de submarinos na região da margem equatorial na foz do Amazonas permitiu determinar a estrutura deste novo bioma em outra escala. “A visualização dos recifes por meio de mergulhos com submarino permitiu determinar em uma escala espacial muito mais refinada que em estudos anteriores (envolvendo geofísica, e sedimentologia), pois foi possível visualizar estruturas físicas (de centímetros a metros) que parecem desempenhar papel fundamental para a manutenção e desenvolvimento da biodiversidade neste imenso novo bioma. Vastas áreas consideradas outrora homogêneas por análises de sísmica e de sedimentologia são muito mais ricas em estruturas tridimensionais e biodiversidade do que se imaginava. Demonstrando, portanto, a relevância deste tipo de imageamento e análise in situ do fundo marinho”, ressalta o pesquisador.
A expedição deste ano foi realizada em parceria com a Organização não Governamental (ONG) ambiental internacional Greenpeace. “A parceria com o Greenpeace foi fundamental para as descobertas científicas e para o desenvolvimento do conhecimento na região. Além de possuir meios flutuantes e equipe de bordo altamente competente, o Greenpeace traz a tona a problemática da produção de energia limpa/renovável no contexto global”, acrescenta Thompson.
A matéria pode ser lida no site da Capes
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