
30/03/2017
Ativistas, cientistas e representantes de governos europeus alertaram nesta terça-feira que os EUA vão afetar os seus próprios interesses se as medidas de combate ao clima criadas pelo ex-presidente Barack Obama forem revogadas. A expectativa é que Donald Trump assine uma ordem executiva que vai rescindir, suspender ou revisar algumas regulações, incluindo o Plano de Energia Limpa.
— Se o lema “America First” significa que você quer liderar, então você não pode voltar ao passado e confiar numa tecnologia com mais de um século de idade. Você está perdendo o trem — disse Thomas Stocker, cientista climático da Universidade de Bern, na Suíça, em entrevista à Associated Press.
O projeto de energia limpa prevê o corte, até 2030, de 32% das emissões de gases-estufa do setor de geração de energia americano. O plano é considerado essencial para que os EUA cumpram seus compromissos firmados no Acordo de Paris, de cortar as emissões totais do país em 26% até 2025. Segundo Stocker, a administração Obama liderou os esforços globais para assinatura do acordo climático de 2015.
— Eles estão abrindo mão da posição de liderança e eu suspeito que ela será assumida por outros países — disse o cientista, citando a China como possível substituta.
Essa é a mesma opinião de Myles R. Allen, cientista climático da Universidade de Oxford.
— Eles (a China) devem receber bem a medida como uma chance para a assumir a liderança sobre os assuntos climáticos — disse Allen, coautor de um estudo recente da Academia Nacional de Ciências sobre o custo de gases-estufa para a sociedade americana.
A preocupação do pesquisador é que o retrocesso nas políticas climáticas americanas mande um recado para outros países, dependentes e defensores de fontes sujas de energia:
— Definitivamente, isso vai jogar terra nos esforços para o controle das mudanças climáticas globais.
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