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Molusco ‘Homem-Aranha’ lança gosma para capturar alimento

06/04/2017

Pesquisadores do Field Museum, em Chicago, descobriram uma nova espécie de vermetídeo na costa da Flórida. Batizado como Thylacodes vandyensis, o animal possui coloração chamativa, e foi encontrado nos destroços do General Hoyt S. Vandenburg, um navio de guerra aposentado que foi intencionalmente afundado para servir como recife artificial. Mas o que chama especial atenção nesse molusco é que ele usa suas glândulas de muco para lançar gosma e capturar presas.
Diferente dos caramujos, que carregam suas conchas de proteção, os vermetídeos são moluscos marinhos que constroem suas cascas em formato tubular fixas em superfícies duras, como recifes de corais. Dessa forma, eles não conseguem se mover, apenas se prendem num lugar onde passam toda a vida.
— Eu fiquei interessado por esses animais quando vi grandes glândulas de muco. Normalmente, os moluscos produzem uma trilha de muco para que possam se arrastar e se mover. Mas os vermetídeos são estacionários, então para que eles precisam dessas glândulas? — afirmou Rüdiger Bieler, curador da seção de invertebrados no Field Museum e líder da pesquisa publicada nesta quarta-feira no periódico “Peer J”. — Esses moluscos possuem um par extra de tentáculos perto da base do corpo, quase como pequenos braços. Esses tentáculos são usados para atirar gosma. Eles lançam uma rede mucosa, como o Homem-Aranha, mas em câmera lenta. Então, micro-organismos ficam presos nessa rede e o vermetídeo usa a boca para puxá-la de volta e prender o alimento em farpas na língua, chamadas rádulas.
Com essas características, a espécie é considerada única. E apesar de os vermetídeos não se moverem, Bieler e seus colegas das universidades Florida International e Cape Breton acreditam que o animal encontrado na Flórida seja invasor, oriundo da região do Indo-Pacífico, onde ainda não foi identificado.
— Nós conhecemos a fauna de vermetídeos do Atlântico muito bem, então as chances de descobrir uma nova espécie nativa da Flórida são muito pequenas — disse Bieler. — Esses moluscos podem ter se escondido na água do porão ou em cascos de navios de carga, e quando chegaram aqui, se tornaram colonizadores perfeitos.

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