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Fiocruz estende programa de controle do ´Aedes aegyptis´ na Ilha do Governador

04/05/2017

O controle da proliferação do Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chicungunha, está no centro dos esforços da Fiocruz para conter o índice de contaminação destas doenças e a chegada da febre amarela ao meio urbano do Rio. A esperança pode estar no método desenvolvido por cientistas australianos de soltar no ambiente mosquitos com a bactéria Wolbachia, que tira deles a capacidade de agir como vetores. A técnica vem sendo usada por pesquisadores da Fiocruz há quase dois anos em Tubiacanga e, a partir de junho, será levada para Ribeira, Zumbi, Cacuia, Pitangueiras, Praia da Bandeira, Cocotá, Bancários, Freguesia, Tauá e Moneró.
As ações fazem parte do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil e utilizam dois métodos. A primeira é a soltura de Aedes aegypti adultos em vias públicas. A segunda, chamada de Dispositivos de Liberação de Ovos (DLO), consiste em depositar ovos, também com Wolbachia, em um recipiente fechado (semelhante a um balde com tampa) onde os insetos se desenvolvem. A próxima geração de mosquitos tem grande chance de já nascer com a bactéria porque a fêmea naturalmente a transmite para os filhotes.
Esses reservatórios foram colocados em áreas públicas, casas e estabelecimentos de Tubiacanga, durante um ano. No bairro, os pesquisadores da Fiocruz estimam que cerca de 90% dos mosquitos do ambiente já têm a bactéria. Pesquisas garantem que o método é seguro e sem qualquer risco para pessoas, animais ou meio ambiente. Além do Brasil, o programa Eliminar a Dengue é realizado na Austrália, Indonésia, Colômbia e Vietnã.
De acordo com a Fiocruz, a expansão na Ilha do Governador visa ampliar a área de abrangência da povoação de Aedes aegypti com Wolbachia. O objetivo é atingir cerca de 2,5 milhões de habitantes no Rio.
— A liberação de Aedes aegypti com Wolbachia foi encerrada em Tubiacanga em fevereiro do ano passado. A bactéria se disseminou naturalmente entre os mosquitos no ambiente, através do cruzamento e de sua transmissão pela fêmea para os filhotes. Esse processo garante a autossustentabilidade do método. Fazemos coletas periódicas na localidade para avaliarmos o avanço da Wolbachia. A presença da bactéria tem variado entre 80% e 90% na população de mosquitos da região — conta o coordenador-geral do projeto no Brasil, Luciano Moreira. — Há publicações científicas na Austrália que também relacionam a Wolbachia à impossibilidade de os mosquitos transmitirem a febre amarela.

A matéria pode ser lida em O Globo

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