
09/05/2017
Um novo relatório do Banco Mundial recomenda que a Austrália e a Nova Zelândia facilitem o acesso a trabalhadores de Tuvalu e Kiribati a seu território. Os países insulares podem desaparecer ainda este século, devido ao aumento do nível do mar.
As reformas culminariam na criação de 80 mil empregos até 2040. A renda gerada pode chegar a US$ 10 bilhões. Haveria um aumento de 50% nas remessas de verbas para esses países.
“A piora dos impactos das mudanças climáticas criou um novo imperativo moral para o acesso aberto. Os dois governos (de Tuvalu e Kiribati) prefeririam um fluxo externo lento, resultante da migração voluntária, e não desejariam que seus povos fossem tratados como ‘refugiados’ fugindo de uma situação econômica e ambiental desesperada”, afirma o relatório.
De acordo com o documento, a disponibilidade de mão de obra australiana não será suficiente para atender setores como o atendimento de idosos, agricultura e turismo. Os trabalhadores de nações insulares poderiam preencher este vazio.
Coautor do relatório e professor da Universidade Nacional da Austrália, Stephen Howes ressalta que os novos programas não têm como objetivo “esvaziar os países insulares”, e sim torná-los mais sustentáveis nas áreas econômica e ambiental.
Diretor do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e especialista em mudanças climáticas, Osvaldo Stella elogia o acordo proposto pelo Banco Mundial, mas pondera que as nações devem investir em metas mais ambiciosas:
— As questões bilaterais são importantes, mas, se não houver uma solução final contra as mudanças climáticas, não passarão de remendos. A luta contra o aquecimento global interfere cada vez mais na geopolítica da região. Existe a possibilidade de grandes migrações, já que o aumento da salinidade do oceano compromete a água subterrânea, inviabiliza a agricultura e causa impactos na pesca.
Fonte: O Globo
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