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Corte de 66% em conservação deixa pistas e calçadas malconservadas e vias às escuras

23/05/2017

Pedras portuguesas soltas nas calçadas, postes apagados há meses, sem que as lâmpadas sejam trocadas, crateras que desafiam os motoristas nas principais vias do Rio e até mesmo numa das vitrines da administração passada, o corredor Transoeste. Os indícios de que os cuidados com a cidade deixam a desejar estão por toda a parte desde que prefeitura resolveu apertar o cinto no quesito manutenção. No ano passado, foram investidos em conservação R$ 313,3 milhões. A quantia prevista para 2017 minguou: estão garantidos apenas R$ 105,4 milhões - um corte no orçamento de 66,3%. Os dados foram apresentados pelo próprio secretário municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), Rubens Teixeira, numa audiência pública esta semana na Câmara dos Vereadores.
- A manutenção de fato não está 100%. Mas, se eu não definisse prioridades, só teria dinheiro até julho. Se o cenário econômico melhorar e a cidade tiver mais receitas, acredito que também contarei com mais recursos - disse Teixeira nesta sexta-feira.
Enquanto o dinheiro não vem, os moradores sofrem com a falta de manutenção. Em Copacabana, a aposentada Maria Gonçalves da Conceição de 57 anos, contou que, no mês passado, precisou ficar duas semanas em casa, de repouso. Ela torceu o pé esquerdo ao pisar em falso em pedras portuguesas soltas no canteiro central da Avenida Atlântica. O aborrecimento foi grande, e o prejuízo, maior ainda:
- Entre consultas médicas e remédios, gastei quase R$ 1 mil. Em um bairro com tantos idosos, não dá para descuidar da manutenção das calçadas - reclamou a aposentada.
Quase 40 quilômetros separam Copacabana do Recreio dos Bandeirantes, por onde passa o BRT Transoeste. A distância é grande, mas os problemas são até muito parecidos. Incontáveis buracos também surgiram na via exclusiva para ônibus, atrapalhando a vida de motoristas e alterando a rotina de passageiros. Segundo a diretora de Relações Institucionais do Consórcio BRT, Suzy Balloussier, os coletivos estão sendo obrigados, por causa das crateras, a circular mais devagar para evitar acidentes. Com isso, por exemplo, o tempo de viagem nas linhas expressas entre o terminal Alvorada e Santa Cruz, que deveria durar 50 minutos, leva agora 70 minutos, pondo em xeque justamente a finalidade do corredor, que é garantir deslocamentos mais rápidos. Depois de circularem na via esburacada, 20% da frota de BRTs (cerca de 80 coletivos) precisam de reparos diariamente.

A matéria pode ser lida em O Globo

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