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Cidades podem ficar até 8 graus Celsius mais quentes

01/06/2017

Quando os cientistas falam sobre o aquecimento global, normalmente são apresentados valores médios para o planeta. No pior cenário projetado, no qual as emissões de gases-estufa continuam crescendo até o fim do século, a estimativa é que as temperaturas médias aumentem 3,7 graus Celsius. Porém, um estudo publicado nesta semana na revista “Nature Climate Change” mostra que os centros urbanos serão mais afetados, com as grandes cidades ficando até 8 graus Celsius mais quentes até 2100, provocando bilhões em perdas.
— As cidades que estão entre as 5% maiores em termos populacionais podem ver aumentos na temperatura de 8 graus Celsius ou mais — disse o coautor do estudo Francisco Estrada, do Instituto para Estudos Ambientais na Holanda, em entrevista à AFP.
O efeito das mudanças climáticas nas cidades será potencializado pelo fenômeno conhecido como ilhas de calor. Aspectos relacionados à urbanização, como a cobertura do solo por asfalto e concreto e a presença de grandes prédios, provocam alterações no microclima, concentrando mais calor. As maiores cidades serão as mais afetadas. As 25% maiores podem ter aquecimento superior a 7 graus Celsius.
Apesar de os centros urbanos cobrirem apenas 1% da superfície do planeta, eles respondem por 80% do produto mundial bruto, consomem 78% da energia produzida e são responsáveis por mais de 60% das emissões de dióxido de carbono. As cidades abrigam 54% da população mundial, e a expectativa é que esse percentual cresça para 66% até 2050.
O calor excessivo tende a provocar não apenas o mal-estar na população, mas também perdas econômicas. Na média, as alterações climáticas provocarão nas cidades perdas entre 1,4% e 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano até 2050, e entre 2,3% e 5,6% até 2100.
“Para as piores cidades, as perdas podem alcançar até 10,9% do PIB até 2100”, diz o estudo.
— O enfoque está por muito tempo nas mudanças climáticas globais que nos esquecemos dos efeitos locais — disse Richard Tol, coautor do estudo e professor de Economia na Universidade de Sussex, na Inglaterra, em entrevista à Reuters. — Ignorar os efeitos das ilhas de calor urbanas leva a uma subestimação drástica do impacto total das mudanças climáticas.

Saiba mais em O Globo

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