
08/06/2017
As florestas das montanhas do Parque Nacional do Itatiaia (PNI) são conhecidas pela diversidade. Mas, como em outras matas do estado do Rio, também lá os bugios não são frequentes. No parque nacional mais antigo do Brasil, que este mês completa 80 anos, o inventário mais recente encontrou apenas cinco animais. E a febre amarela é apontada como a causa mais provável da baixa densidade da espécie. Há mais de sete décadas o vírus teria causado tamanha mortandade, que o bugio jamais se recuperou.
— Um estudo publicado em 1977 afirma que um surto de febre amarela silvestre exterminou a população de bugios do parque em 1939. Mas nessa época, as epizootias (surtos em animais) eram pouquíssimo estudadas — diz o biólogo Izar Aximoff, autor do estudo sobre a população atual de bugios e de levantamentos da fauna de mamíferos do PNI.
Um dos bugios identificados por Aximoff é uma fêmea loura, o que só aumenta a suspeita sobre problemas populacionais. A fêmea é portadora de uma condição conhecida como leucismo, isto é falta de pigmentação, possivelmente causada pela baixa diversidade genética.
— O leucismo pode acontecer em populações com muito cruzamento de parentes próximos, como em grupos pequenos e isolados. Esses animais se tornam vulneráveis a predadores e muitas vezes apresentam problemas imunológicos. A fêmea que vimos, porém, não pareceu doente — observa o pesquisador.
Também é dele o registro do macho do grupo no Vale do Campo Belo, a 2.470 metros de altitude:
— Esse é o registro mais elevado da espécie. E pode ser devido a alterações associadas a mudanças climáticas, em busca de novos habitats — acrescenta Aximoff.
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