
13/06/2017
Uma viagem de ida e volta do Oiapoque ao Chuí é pouco para uma espécie de peixe típica da Amazônia. O Brachyplatystoma rousseauxii, conhecido popularmente como dourada, tem ciclo de vida migratório de aproximadamente 11.600 quilômetros, um recorde mundial de migração em água doce.
— A reprodução acontece nas encostas dos Andes. Logo que nascem, as larvas dos peixes começam a viagem descendo o rio até o estuário, que serve de berçário — explica Ronaldo Barthem, pesquisador do Museu Paraense Emilio Goeldi e autor do estudo publicado na revista “Scientific Reports”. — Quando atingem a maturidade, eles fazem a viagem de volta, rio acima, para procriar.
Os pesquisadores analisaram o ciclo de vida de quatro espécies de bagres importantes para a economia local. O ciclo migratório foi estimado por meio da coleta de espécimes em diferentes estágios de desenvolvimento em diferentes partes da Bacia Amazônica. Perto das cabeceiras dos rios, nos pés dos Andes, os cientistas encontraram apenas adultos completamente maduros, com as gônadas já formadas, e larvas recém-nascidas, o que indica que esses locais, de águas mais turbulentas, servem de criadouro.
Outro indício é que os animais adultos capturados tinham estômagos vazios, o que exclui a migração para a região em busca de alimentos. Os espécimes encontrados mais acima no rio estavam a 5.788 quilômetros da foz do Amazonas, a 198 metros de altitude. Logo que nascem, ainda na fase larval, as douradas iniciam sua viagem rio abaixo, em direção ao estuário.
— Os peixes grandes sobem e são pescados lá no Peru e na Bolívia, e os jovens descem — diz Barthem. — Uma hipótese para isso é a segurança dos filhotes. Ao longo do Amazonas, a predação é muito grande. Lá em cima, no momento da desova, as trombas d’água ajudam a diluir os filhotes e evitam os predadores. Outra explicação possível seria a temperatura e oxigenação, que facilitam a sobrevivência dos mais jovens.
Os peixes vão crescendo na medida em que descem o rio, até alcançarem o estuário, que serve de berçário, onde eles vivem até se tornarem adultos jovens, mas ainda sexualmente imaturos. Então, a viagem de volta tem início. A estimativa dos pesquisadores é que a jornada, de quase 6 mil quilômetros rio acima, leve entre um e dois anos.
Segundo o estudo, as douradas vivem no estuário até completar dois anos, onde encontram abundância de alimentos. Nenhum espécime adulto maduro ou em fase larval foi capturado nesta parte do rio.
A matéria pode ser lida em a href="https://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/meio-ambiente/peixe-amazonico-recordista-mundial-em-migracao-em-agua-doce-21457382" target="_blank">O Globo
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