
20/06/2017
As mudanças climáticas vão aumentar a frequência das ondas de calor letais, ainda que a Humanidade limite o aquecimento global a dois graus Celsius, conforme prevê o Acordo de Paris. As conclusões foram reveladas na segunda-feira em um estudo feito pela Universidade do Havaí, nos Estados Unidos. Os locais mais atingidos, segundo a pesquisa, serão a Indonésia, as Filipinas, o norte do Brasil, Venezuela, sul da índia, Nigéria, parte da África ocidental e norte da Austrália.
O cumprimento do compromisso assumido por 196 países até 2100 ainda deixaria quase a metade da população mundial exposta pelo menos uma vez por ano a períodos de calor e umidade que se mostraram fatais no passado. O estudo foi publicado no na revista científica Nature Climate Change.
Em um cenário em que os gases de efeito estufa continuam sendo lançados na atmosfera nos níveis atuais, três quartos da humanidade enfrentarão anualmente o que os pesquisadores chamam de eventos de calor letais.
— Descobrimos que as ondas de calor letais em todo o mundo estão se tornando mais comuns, e que essa tendência já parece inevitável — disse Camilo Mora, professor da Universidade do Havaí e autor principal do estudo. — Mesmo que superemos os objetivos de Paris, a população exposta ao calor mortal será de cerca de 50% até 2100.
Hoje em dia, 30% dos habitantes da Terra passam por períodos de calor extremo em algum momento do ano. Desde o início do século XXI, as ondas de calor deixaram milhares de mortos, mesmo em países melhor equipados para ajudar seus cidadãos a lidar com o clima extremo. Na Europa Ocidental, por exemplo, houve mais de 70.000 mortes durante o verão intenso de 2003.
No futuro, os trópicos serão mais atingidos, de acordo com o estudo, que prevê — ano a ano, para cada quilômetro quadrado da Terra — o número de "dias mortais" sob três diferentes cenários de poluição por carbono definidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
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